por Herman Glanz – E passou o Dia do Perdão – o Iom Quipur, quando, depois de inscritos no Livro da Vida do Novo Ano, já devidamente perdoados, recebemos a chancela do Senhor, o carimbo do reconhecimento do firmado no início do Ano. Há quem diz confiar na assinatura do Senhor, dispensando a chancela; ocorre que Ele não a dispensa. Mas, como aqui estamos, significa que fomos chancelados para mais um tempo.
E é neste tempo a nós dispensado que observamos o que vem passando o Povo do Livro. O que está chamando a atenção, no momento, é o pedido da OLP – Organização para a Libertação da Palestina visando o reconhecimento, pelas Nações Unidas, do Estado Palestino e o conseqüente desdobramento político. Aí reside a questão.
Muita gente, impulsionada pela mídia mundial, se pergunta por que não aceitar esse Estado Palestino? Por que não aproveitar a grande oportunidade de se criar um Estado Palestino independente, lado a lado de Israel, e assim acabar com o conflito? O mundo árabe e os muçulmanos aceitarão Israel, acabará a guerra e haverá paz. Todos os demais países, especialmente o Ocidente, terão bons motivos para aceitar Israel não mais como fator de insegurança e ameaça à paz mundial. Muita gente fala assim, inclusive uma parte da esquerda judaica, de Israel e fora de Israel.
As palavras podem ser belas, mas serão realistas? Lembremos que o pedido feito para as Nações Unidas se fez pela OLP – a mesma Organização para a Libertação da Palestina presidida por Mahmoud Abbas, codinome Abu Mazen, que é o Presidente da Autoridade Palestina, entidade criada pelos Acordos de Oslo de 1993, e que acabam sendo cancelados. Aliás, apesar da designação nos Acordos ser Autoridade Palestina, passaram a chamar-se Autoridade Nacional Palestina. Mesmo assim, Abbas preferiu a OLP. E o que é que tem, perguntarão?
Devemos nos lembrar que a OLP, criada em 1964 por Gamal Abdel Nasser, então ditador do Egito, sob a inspiração da ex-União Soviética, continha, em seu Estatuto, ou como o chamam, a Carta da OLP, no Artigo 24, que não havia qualquer reivindicação sobre a Faixa de Gaza, do Egito; sobre a Margem Ocidental do Reino Hashemita da Jordânia e sobre o Monte do Templo. Não havia os tais “territórios ocupados” como chamam agora. O que sobrava para libertar era o Estado de Israel de antes de 1967, nas linhas de Armistício de 1949, ou seja, o que se queria e se quer é acabar com o Estado de Israel.
Ahmed Shuqueiri, primeiro Presidente da OLP, antes de Arafat, não fazia segredo de que o objetivo era acabar com Israel. Era aparthaid claramente, porque consta nessa Carta que só seriam admitidos nessa Palestina os judeus que já lá se encontrassem antes de 1917. Ninguém protestava quanto a esse fato. E continua sendo repetido agora: todos os judeus que se encontram na área prevista para o Estado Palestino, isto é, Gaza e Margem Ocidental, nas Linhas do Armistício de 1949, deverão abandonar o lugar. Não podem permanecer num novo Estado. É o aparthaid claro, é o judenrein do nazismo. E ninguém protesta.
E no seu discurso na ONU, dia 23 de setembro, Abbas declarou que Israel é uma potência ocupante desde 1948. Precisa ser mais claro? Extrapola as Linhas de 1949. E ninguém protesta. E não devemos esquecer que Abbas fala pela Autoridade Palestina que manda na Margem Ocidental, porque em Gaza manda o Hamas, onde Abbas não tem vez, não representando todos os palestinos de hoje. Aliás, ninguém fala dos 850.000 judeus expulsos dos países árabes muçulmanos. No mês passado, o Wilileaks publicou telegramas citando os nomes dos últimos judeus vivendo ainda em Bagdá, que estão sendo instados a abandonar o Iraque, porque se encontram em perigo.
Segundo a Carta da ONU um membro deve ter um território definido e ser amante da paz. Estará o pretendido Estado conforme? Os mapas da Autoridade Palestina indicam que Israel não existe, porque a Palestina engloba tudo, suprimindo Israel. Pelo menos isso significa não querer paz. Mas perdoemos a todos, porque não sabem o que fazem e o que dizem. E que se caminhe para um entendimento, iluminando os corações e mentes para que haja paz. Amém.