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Ontem, como faço aos domingos, acordei, saí de casa e fui andar no calçadão da Avenida Atlântica.

Antes de continuar a contar minha experiência que esteve mais próxima da guerra da Síria do que de um dia de lazer na praia de Copacabana, quero lembrar que as pistas de rolamento fechadas em dias santos, feriados e dias de descanso estão pela prática da cidade, fechadas para motocicletas, bicicletas, triciclos, quadriciclos e também, skates, ainda que estejam abertas para pedestres.

Será que alguém sabe o porquê?

Vou explicar: idosos, senhoras e crianças não tem condições de se defender de um atropelamento ocorrido através de quaisquer destes bólidos que ao jogarem estas pessoas ao chão, não lhes darão, certamente, uma segunda oportunidade. Uma fratura numa pessoa de mais idade dificilmente se concerta.

Bem, voltando ao calçadão de Copacabana, lá ia eu, passando todo serelepe, sem me lembrar que já fui, por três diferentes oportunidades, atropelado. Nos três episódios, com a mesma cara de retardado ou retardada dos autores do crime, após a colisão, a exclamação foi só uma e igualzinha!!! FOI MAL! O senhor me desculpa???

Não, disse eu, em todas as ocasiões. Não desculpo, porra nenhuma!

Numa destas vezes, a mocinha numa bicicleta sem freios me pegou pelas costas e me lançou ao chão, me causando dores na coluna por alguns meses. E dá-lhe fisioterapia, às minhas custas. Na outra oportunidade, uma imbecil me atropelou e com as rodas de sua bicicleta me abriu um buraco na panturrilha. O terceiro “gênio” foi um skatista que lançou seu bólido em direção às minhas canelas e se não sou mico de circo, tinha ficado deitado no asfalto quente e derretido do nosso verão à espera da ambulância do SAMU.

De repente, em Copacabana, oito quadriciclos me aparecem apostando corrida, desde a Rua Barão de Ipanema, até o fim do Posto Seis, a toda velocidade, cada um com três pessoas nas cadeiras e mais uma na boleia, todas bem jovens, saídas há pouco da adolescência e, na língua de De Gaulle, fazendo uma algazarra que certamente, faria corar um monge de barro.

Procurei a Guarda Municipal. Neste trajeto acima descrito, às dez da manhã de domingo (ontem), nem em baixo das árvores, à sombra, tive a sorte de achar qualquer agente deste serviço público. Continuei buscando e encontrei uma patrulha da polícia militar. Conversei com os policiais que se dispuseram a parar os franceses e com a minha ajuda, dizer-lhes que não podiam guiar aquelas carrocinhas na velocidade em que estavam fazendo, vez que causava perigo aos passantes (esses idiotas sabem muito bem disso).

Ao mesmo tempo, skates, bicicletas de corrida, triciclos e até uma moto scooter faziam seus malabarismos, assustando ainda mais os passantes que já tremem de medo com a proximidade de assaltantes e trombadinhas que não fazem acordo com suas vítimas. Roubam e furtam (cuidado com quem tem uma caixinha de engraxate nas mãos) com a velocidade dos raios e mais recentemente, com a violência dos tufões.

Continuei minha caminhada e cruzei a linha do Arpoador. Ali, todos os tipos de mendigos, moradores do asfalto, camelôs e ladrões também convivem com a população.

Fui até as pedras e na minha volta em direção ao Leblon, eis que me deparo com dois bons samaritanos da Guarda Municipal distribuindo um folheto da prefeitura, na tentativa de ordenar o trânsito no calçadão de Ipanema.

Um panfleto me foi oferecido. Li e fiquei com a impressão de que se está a brincar com a vida das pessoas por aqui, na Zona Sul da cidade.

Com muita educação, o panfleto pede aos pilotos de todas estas parafernálias que dirijam suas “armas” para a ciclovia. Eles, os motorneiros, riem. Ou ofendem quem reclama.
Hoje, abro os jornais e leio que um advogado foi ao Ministério Público e se queixou do que vem acontecendo. O Ministério Público parece que comprou a briga.

Chegou a hora das autoridades encontrarem uma solução, pois é para isto mesmo que elas existem e estão aí.

Não dá mais para que a cidadania fique à mercê de vagabundos irresponsáveis que se utilizam da falta de reação violenta de quem anda pelas ruas do Rio, quase com a garantia da impunidade, para ameaçar a vida de velhos, mulheres e crianças, com o contumaz desrespeito às mais comezinhas leis de convivência.

Com a palavra, o Ministério Público, o Prefeito, a Guarda Municipal e a PM.

Aviso: a partir do próximo fim de semana, estarei no calçadão com um taco de beisebol.

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