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Em março de 2010, Lula deveria ter cumprido dois rituais em Jerusalem, obrigatórios para dignitários estrangeiros: comparecer ao Instituto Yad Vashem para colocar uma coroa de flores em memória dos Heróis e Mártires que pereceram no Holocausto, e visitar o túmulo de Theodor Herzl.

Mas não foi assim, Em lugar do Monte Herzl, foi prestar uma homenagem ao terrorista sepultado em Ramala, que tinha as mãos manchadas pelo sangue das inocentes crianças judias de Maalot, deixando de lado o túmulo daquele jovem jornalista austríaco que quase nunca frequentava a sinagoga… até que a inominável afronta cometida contra o Capitão Dreyfus fez com que Theodor Herzl se lançasse na fantástica aventura do retorno a Sion – solução política para resgatar a cidadania de um povo que sofria, profecia de ter de volta sua antiga pátria – Altneuland, ou Judenstadt, conforme ele a descreveu na língua de Goethe.

Lula talvez quisesse mostrar, como é do seu feitio, ao pessoal do outro lado da fronteira que a visita dele aos judeus não era o que era, muito pelo contrário…. o mago da ambiguidade … que não desejava referendar as idéias de Herzl, que animou aquele povo a prosperar no deserto, até conseguir fundar uma Nação. Tanta luta, sofrimento, para que um pequeno pais pudesse existir…

Agora, exatos 9 anos depois, Bolsonaro fará uma visita histórica. Que seja muito bem recebido na Terra Santa, ainda que com as habituais dissonâncias de sempre.

Afinal, desde Flavius Josephus ate hoje os judeus sempre tiveram vozes divergentes. A nomenclatura varia, judeu não-judeu, self-hating jew, e por ai vai. Uns até defendem que o Holocausto não existiu, outros desfilam de barba e capote negro de mãos dadas com os piores inimigos de Israel, outros passam para o lado de Amalek no combate contra Israel, ainda que condenado para sempre pelo Eterno a ser derrotado. Embora com o mesmo DNA de antigo e famoso correligionário, se por um lado não amam uns aos outros, por outro oferecem a outra face, prestando-se a ignóbil papel, como foi com a Iezektzia e os poetas que Stalin mandou fuzilar.

Espera-se que desta vez o Presidente do Brasil visite o Monte Herzl, onde tantos notáveis repousam ao lado do fundador do sionismo, como Ben Gurion, Jabotinski, Begin, Golda Meir, Rabin, tantos presidentes, ministros, enfim, os pilares do sionismo. Em outra perspectiva, dessa vez a dúvida é sobre a mudança da Embaixada, algo impensável nos tempos de Lula, Celso Amorim e Marco Aurelio Garcia. Decisão que não deveria ser dificil, mas que seja a melhor para o futuro do Brasil.

Entretanto, a homenagem só estará completa se Bolsonaro colocar flores tambem nos tumulos de Jabotinski, Soldado e Pensador falecido prematuramente sem entrar na Terra Prometida, e Begin, Comandante do Irgun, Herói do Altalena, Bravo Lutador que fez a paz em nosso tempo, abrindo caminho para o Israel forte de hoje. Que os Anjos do Senhor dos Exércitos conduzam Bolsonaro!

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.