A B`nai B`rith promoveu dia 29 de outubro um almoço com o dr. Paulo Cesar Jardim, delegado titular da 1ª. Delegacia de Polícia do Rio Grande do Sul, em evento conjunto com o Grupo de Trabalho sobre Antissemitismo da Federação Israelita do Estado de São Paulo e da Comissão Nacional de Direitos Humanos da B’nai B’rith.
Especialista em crime de neonazismo, tema de sua fala, dr. Jardim relatou que os neonazistas que vem sendo presos no RS, se consideram presos políticos. “É muito diferente o comportamento deles do dos bandidos comuns, acreditam numa ideologia, não abaixam a cabeça, não sentem culpa e sim prazer através do ódio aos judeus, aos negros, aos homossexuais”.
Em março de 2005, quando os judeus em todo o mundo celebravam os 60 anos do fim do Holocausto, um grupo de judeus de Porto Alegre foi massacrado por um bando neonazistas, que agem sempre em grupo. Enquanto agrediam os jovens, os demais presentes, eram desafiados por outros neonazistasdispostos a enfrentar quem tentasse ajudar os que apanhava, Um deles ficou dois meses em coma. No final de 2010 haverá um julgamento popular no Rio Grande do Sul, de neonazistas que atacaram judeus, será primeiro da América Latina.
“Estes grupos sairam da fase romântica, da distribuição de panfletos e passaram para uma etapa com estrutura paramilitar. São altamente organizados, tem recursos financeiros, armamento, seus membros recebem treinamento paramilitar, cursos de informática, eletrônica, lem muito sobre a ideologia nazista e o negacionismo (do Holocausto) e crem firmemente na existência de sub raças que devem ser eliminadas”, matando e atacando judeus, homossexuais e policiais no Brasil. em pleno século 21.
O consul geral da Alemanha em SP, dr. Heinz Peter Behr afirmou que o governo alemão está solidário com a comunidade judaica e demais comunidades perseguidas e à disposição para ajudar. Ao concluir, o delegado dr. Jardim também falou sobre a presença do Hezbollah e do Hamas em Foz de Iguaçu e no Chuí.
Dr. Jardim foi convidado a falar na OAB/SP, na mesma noite, em evento em parceria com a Federação Israelita do Estado de São Paulo, dirigido por dr. Hédio Silva, ex-Secretário da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de SP, coordenador da Comissão Inter-religiosa da OAB/SP. Na mesa que dirigiu os trabalhos, entre outros, o vice presidente executivo da Fisesp, Ricardo Berkiensztat. Dra. Evane Kramer e dra Margarette Barreto, que falou sobre os grupos neonazistas em São Paulo e as ameaças que tem feito em relação à Copa do Mundo no Brasil.
Duas questões ficaram claras: a seriedade do problema e a inexistência de conscientização dos operadores do direito ( juízes, advogados, promotores, ou seja da magistratura em geral) para a gravidade da situação. As brechas na lei brasileira que permitem que indivíduos tão perigosos para a sociedade sejam soltos, para depois de novos crimes retornarem às cadeias, também foram lembradas.
Na ocasião Alberto Milkewitz, diretor institucional da Federação israelita do Estado de São Paulo destacou a visita do presidente do Irã ao Brasil, que nega que tenha ocorrido o Holocausto e o extermínio de 11 milhões de pessoas nos campos nazistas, enquanto ainda existem sobreviventes, testemunhos da história, e a realidade brasileira dos dias de hoje, na qual seguidores de Hitler ainda pregam o extermínio das pessoas por eles consideradas “raças inferiores”. Parabéns aos delegados como dra. Margarette Bareto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi/SP) e ao dr. Jardim e às suas equipes. São exemplos a serem seguidos.


























