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“Entre todas as Jornadas, desde 2002, essa foi a mais expressiva em termos de número de professores e de conteúdo”. Quem afirma é a profa. dra. Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora da VII Jornada Interdisciplinar sobre o Ensino do Holocausto -“Por 1,5 milhão de crianças”, realizada dia 16 de agosto no Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.


Mesa de abertura: profa. dra. Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do LEER/USP, Abraham Goldstein, presidente da B’nai B’rith do Brasil, prof. dr. Paulo César Xavier Pereira, assessor técnico do Gabinete da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária e Ben Abraham (em pé), presidente da Sherit Hapleitá do Brasil.

O encontro é promovido anualmente pela B’nai B’rith do Brasil (Filhos da Aliança), entidade judaica de Direitos Humanos; Sherit Hapleitá – Associação dos Sobreviventes do Nazismo; LEER– Laboratório de Estudos da Etnicidade, Racismo e Discriminação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo e Secretaria Municipal da Educação de São Paulo. Dos 478 participantes, 290 eram professores das escolas municipais, em um crescimento de 97% em relação ao ano passado. Todas as 13 Regionais de Ensino estavam representadas pelas 137 escolas. Outros 41 professores eram de 35 escolas estaduais.

Para o co-presidente da B`nai B’rith do Brasil, Abraham Goldstein “as Jornadas são uma oportunidade para os educadores conhecerem a verdade histórica e se familiarizarem com as estratégias para ensiná-la, através das palestras, dos testemunhos dos sobreviventes e de farto material didático, transmitindo sempre a mensagem de que ao educar nossos jovens para o convívio pluralista e democrático estaremos eliminando a possibilidade de desenvolvimento da intolerância e do totalitarismo e de ambientes propícios à práticas recentes, como o Holocausto, garantindo um Brasil sem discriminação, tolerante e embasado no princípio da paz”.


“Houve uma comoção geral com o tema da criança”

Uma técnica utilizada em museus interativos levou os professores a se identificarem com as histórias de vida dos refugiados. Na chegada cada um recebeu um cartão de identificação, um “passaporte”, com a foto e a história de uma criança. Foram preparadas 21 relatos diferentes, e o que eles não sabiam é que estes sobreviventes estariam no evento. Depois em uma simulação de fuga passavam pela “mesa da imigração” para poder entrar no auditório, que representava o Brasil.

Em relação ao conteúdo da Jornada, a profa. Maria Luiza destacou alguns momentos expressivos, como “a reação imediata, o olhar atento e sensibilizado dos professores pelos relatos nas apresentações dos sete sobreviventes, crianças na época do Holocausto, com histórias diferentes que se cruzavam entre si”.

São eles: Anita Leocádia Prestes, nascida na prisão, George Legmann, nascido em campo de concentração, Inge Marion Rosenthal, salva pelo Kindertransport, do governo britânico para crianças judias alemães, Mirta Schwarcz, Ruth Sprung Tarasanschy, Maika Milner, que viveu parte da infância em um sótão e Sabrina Kustin, escondida em um porão, por um padre, esteve em campo de concentração e participou da viagem do navio Exodus, levando um tiro quando o governo britânico o impediu de aportar na Palestina, fazendo-o voltar com os refugiados para a Europa.


Mesa com os sobreviventes, coordenada pela profa. dra. Rachel Mizrahi, uma das organizadoras do evento.

O ensino multidisciplinar do tema foi enfatizado durante as palestras: “Mensagem aos professores- Os artífices do Pensamento Plural”, profa. dra. Helena Lewin, que destacou a Declaração Universal dos Direitos do Homem; “As Crianças do Holocausto – Medo e Silêncio”, profa. dra Maria Luiza; “As Crianças de Terezin: arte e criatividade em tempos de intolerância”, profa. Silvia Rosa Nossek Lerner; “Anne Frank: uma vida, um registro”, dra. Marili Berg; ” `Travessia` de Crianças Refugiadas do Nazismo em Rolândia: Literatura e História”, de Lucius de Mello”; O Cinema e as Crianças do Holocausto: A Intolerância em Cena”, prof. dr. Wagner Pinheiro Pereira; “Lembranças de Crianças e Jovens do Holocausto, prof. dra. Rachel Mizrahi, “Teatro em salas de aula: Traduzindo a realidade”, diretora teatral Leslie Marko e da Exposição “A Borboleta de Terezin, 1942, uma homenagem das crianças da comunidade judaica paulistana às crianças de Terezin, coordenada por Renato Ackerman, em uma realização do Projeto Paper Clips Brasil.

“Os educadores aprenderam técnicas e receberam material para abordar o tema nas aulas de história,, português, literatura, matemática, história, geografia, teatro, entre outras, de forma a ensinar aos seus alunos os valores que a lição do Holocausto nos ensina”, destaca Abraham. Esse objetivo foi plenamente atingido, conforme relata Maria Luiza: “Vários professores me procuraram e disseram `agora entendemos como usar esse conteúdo numa aula de cidadania, de questões brasileiras`, e sugerindo como aplicar as propostas de ensino adaptando-as às suas realidades”.

A próxima etapa é a multiplicação desses conhecimentos através da aplicação no Concurso de Redações para as Escolas Municipais, promovido pela B’nai B’rith, Sherit Hapleitá e Secretaria Municipal da Educação de São Paulo. “Percebo que houve uma comoção geral pelo tema da criança”, diz ela, resumindo: “o resultado foi espetacular”.

fonte: BBPress

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