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As eleições transcorreram tranquilamente em Israel. Muitos politicos e pessoas que se importam com os destinos do país, roeram as unhas, aguardando os resultados, mas todos sabiam muito bem o nome do vencedor. Êste sem dúvidas seria o Benjamin. Só não se sabia qual deles, seria o Benjamin (Bibi) Netanyahu, ou o Benjamin (Benny) Gantz. De um lado o Netanyahu, que se tornou o primeiro ministro que mais governou o país (1996-9 e de 2009 em diante) e do outro lado, o Gantz, que foi o Comandante do Exército (2011-15) e só em dezembro pulou na área politica e em 4 meses obteve relativamente um grande sucesso.

No final da contagem, grande vencedor é o atual Primeiro Ministro, Benjamin Netanyahu. Ele é sem dúvida, um gênio político, que venceu pelo seu carisma que prefere o sentimento e deixa o raciocínio de lado. Muitas pessoas perguntadas, o que o Netanyahu fez por você, responderam: “nada, mas não há outro igual, votarei em Netanyahu”. Havia também eleitores do Likud que disseram que são contra o Netanyahu, pelas acusações que pesam sobre ele, mas votam no Likud, para que se ele tiver que deixar o governo, este continuará com o Likud, sendo o maior partido no Parlamento.

Netanyahu dirige os rumos do país há 13 anos (dos quais os 10 últimos seguidos) e o que não fez neste tempo provavelmente não conseguirá mais adiante. Ele se tornou um político conhecido no cenário mundial. É um amigo do presidente americano, Donald Trump, do russo, Vladimir Putin, do brasileiro, Jair Bolsonaro, de Narenda Modi da India e de alguns líderes da direita da Europa. Ao mesmo tempo, tratou de aprofundar a divisão da sociedade israelense, zomba dos rivais e nas eleições implantou a política do pavor.

Ele que via censos, entrou em certo pânico e mesmo que não deu entrevista a mídia israelense nos últimos 4 anos, de repente estava disposto a dar entrevistas a quem o quisesse. Mesmo se fosse uma revista de jovens ou uma rádio da periferia, ouvida por alguns milhares de ouvintes. Se em 2015, no dia da eleição, foi a TV para incentivar seus correligionários com “os árabes estão sendo transportados em ônibus as urnas”, nesta eleição já trocou os árabes pelos correligionários do Azul e Branco.Em certo momento disse, sem provas, que 67% dos eleitores do Azul e Branco já votaram e apenas 42% do Likud.

Para Bibi era uma luta pessoal, queria que o Likud fosse o maior partido do Knesset e com maioria de pelo menos 5 deputados, para que o Presidente Rivlin lhe incumbisse de formar o novo governo. Assim poderá tentar passar “a Lei Francesa”, que impede levar a justiça governante em exercício da função. Como se sabe contra “ele pesam 3 acusações de corrupção e tem mais 2 em investigação.

Dos 8.972.000 habitantes do país, 6.339.729 tem direito em votar, nas 40 legendas que correram nestas eleições e para tal foram distribuidas 10.720 urnas. Posso testemunhar, que nunca tive tantos telefonemas e mensagens como no dia da eleição e não foram de familiares ou amigos. Foram de partidos politicos e todos atacavam “o outro partido”, me incentivando a votar neles. Até o líder de um partido que não conheço, terminou a gravação com “ohev etchem” (amo vocês).

Todos os comentaristas estavam unânimes que estas eleições foram marcadas pelo grito de “guevalt” (pânico), principalmente dos pequenos e médios partidos que acusavam os outros partidos de lhes “sugar” os votos. Havia muitos partidos que sabiam estar beirando o limite de entrada no Knesset, estipulado em 3.25%. Isto significa que tem que obter cerca de 140.000 no mínimo para a entrada de 4 deputados. O único partido que estava sossegado neste aspecto foi o Yahadut Hatorá, dos ultra conservadores -haredim – que faça chuva ou faça sol, seguem a ordem do seu rabino e conseguem o número de 6-7 deputados.Agora, obtiveram 7 deputados.

Os partidos árabes estiveram alarmados pois nas mídias sociais havia chamadas para boicotar as eleições. As razões se deviam a frustração dos eleitores árabes, de que seus representantes, os 13 deputados da Lista árabe Unida, o 3º maior no Knesset, lidavam mais com os palestinos do que com os árabes-israelenses. Outra razão foi o ego que prevaleceu entre os deputados e que levou a cisão em 2 partidos. O Hadash (PC) -Ta’al, conquistou 6 cadeiras enquanto o Ra’am-Balad, teve 4 eleitos. A pequena participação de eleitores árabes prejudicou também ao maior partido antagônico ao Likud, o Kachol-Lavan (Azul e Branco), que poderia obter maior apoio para constituir o governo, se eles mantivessem ou mesmo ampliariam o número de deputados.

Partidos que surpreenderam foram: Shas – partido religioso, que estava em decadência e brigas internas, mas seu líder Arie Deri, chorando “ressucitou” o Grão Rabino Ovadia Yossef para pedir votos. Isto apesar de que a filha do Rabino Yossef, Adina, reclamou e disse que não vota neste partido. Contrariando a justiça, dava presentes aos eleitores em forma de fotos do Grão Rabino, miniaturas de Tehilim e outros artigos religiosos, proibidos pela justiça, que o Ministro do Interior (Deri) não ligava. O resultado foi que conseguiram 8 deputados e foi o primeiro líder de partido a ligar ao Netanyahu para lhe comunicar que seu partido o apoia.

Outra surpresa foi o Partido Zehut (Identidade) de Moshe Feiglin, dissidente do Likud, religioso que é a favor da venda de canabis e lhe previam, até o dia da eleição, 8 representantes. Muito popular entre os jovens e na hora H, não passou a barreira mínima. Kulanu, de outro dissidente do Likud, Moshe Kahlon e Israel Beiteinu do Avigdor Lieberman, mais um que saiu do Likud, lhes previam não entrar no Knesset. Nos resultados finais, obtiveram 4 e 5 deputados respectivamente.

A grande decepção foi o Partido Trabalhista (Avodá), que de 24 deputados eleitos em 2015 passou a apenas 6. Este partido foi dos pilares na fundação do país. Netanyahu facilmente pode dizer, o Likud sou eu. Mesmo seus colegas sabem que lhe devem o seu status. Com tantas acusações, não só que o Likud não perdeu número de deputados, ele conseguiu ampliar o parido de 30 para 36 parlamentares.

O Kachol-Lavan é também surpresa. Este partido não existiu há 4 meses, entrou com toda e se tronou ao lado do Likud o maior partido de Israel,também 35 deputados. Mesmo se obtivesse mais alguns deputados, dificilmente conseguiria constituir um novo governo. Os ultra conservadores são contrários q qualquer papo com o ex Ministro Do Tesouro, Yair Lapid, que lutou para passar uma lei obrigando os jovens haredim alistar-se e ingressar no Exército. Fora isto, o bloco direitista é de 65 deputados e a do centro com a esquerda e os árabes é de apenas 55 parlamentares.

O novo partido Hayamin Hachadash ( a Nova Direita), que é cisão do Habait Hayehudi, feito pelos líderes e muito ativos Ministro da Educação, Benett e a Ministra da Justiça, Shaked, cairam feio e seu novo partido ficou fora do Knesset. Não vale a pena invejar nenhum dos Benjamins no trabalho de formar um novo governo. Cada partidinho de até mesmo 4 deputados tentará obter o quanto mais. Alguem até a chamou de “governo de Extorsão Nacional”. O Azul e Branco, já previamente haviam dito que não farão coalizão com o Netanyahu. Com o Likud sem o Netanyahu, podem conversar. Se depois de ser indiciado, o Netanyahu tiver que deixar o govêrno, talvez vão criar govêrno de coalizão nacional.

Já agora há movimentação de não deixar julgar o Netanyahu. Os deputados do Likud alegam que o povo disse o que pensa e quer o Netanyahu. A genialidade do Netanyahu também aparece com a possível inclusão do partido Kulanu, do Kachlon ao Likud. Kachlon havia avisado de que não faria parte do govêrno se Netanyahu for indiciado e ficar na chefia do govêrno. Agora depois de seu partido cair de 10 parlamentares para apenas 4 e provavelmente desapareceria, já trata de ingressar com seu partido ao Likud e aí não poderá votar a favor do indiciamento do Netanyahu.

O pequeno país que é Israel pode se orgulhar que é a única real democracia nesta área hostil as liberdades e que é dirigida por autocratas e pelo terror. Em Israel a porcentagem de votos- não há obrigação para votar- é das maiores do mundo Ocidental, em 2015 foi de 72.34% e na de 2019 esta por volta de 69%. Só temos que lamentar que um país que chega até a lua, não consegue fazer contagem final dos votos que leva mais de 1 semana. Como dizemos na entrada de um novo ano,que o govêrno tenha boa sorte e seja melhor do que o anterior.

BERESHIT, GRANDE ORGULHO

A nave espacial israelense Bereshit, estava na descida à lua, para que Israel se torne o 4º país a conseguir esta façanha. Durante 8 anos de programa elaborado por 3 jovens engenheiros, que conseguiram angrariar 100 milhões de dolares de pessoas privadas, principalmente de Morris Kahn e Sheldon Edelson, fundaram a Space.IL e junto com a Indústria Aeronautica de Israel, conseguiram fazer real um sonho. Durante 8 semanas a nave espacial percorreu 450 milhões de km. em elipses em volta da Terra e no dia 6 de abril entrou na gravitação da Lua.

Ontem (11) todo o país estava emocionado aguardando o sucesso desta proeza. As 3 principais estações de TV transmitiram ao vivo. Talvez é a idade, quando um dos engenheiros declarou:” estamos no processo de descida”, minha vista foi atrapalhada por algumas lágrimas de orgulho e emoção. Tudo trabalhava bem. Na base do Space.IL, em Yahud, o engenheiro anunciou: “agora a nave espacial está por si, ela é autonoma, nada pode ser feita por ela”.

Aos 21 km, faltando 7 minutos para a aterrisagem na lua e 1/3 do combustível está sendo gasto na descida, todos apreensivos olham os monitores. Velhos e jovens trabalham juntos, a primeira selfie da parte do Bereshit (Genises) com a bandeira de Israel e a inscrição em hebraico: AM ISRAEL CHAI e em inglês: PEQUENO PAÍS, GRANDES SONHOS vendo ao fundo o solo da Lua, me fez lacrimejar de novo. A emoção é muito grande. O locutor anuncia: “excelente selfie”. Minuto depois, ele anuncia que o AMU2 não funciona, estamos tentando religa-lo. Conseguiram, mas a queda é rápida e a nave espacial já estava muito próxima do solo. A 10 km. foi recebida mais uma foto. A estação de observação da NASA perdeu o contato, mas uma estação na Suecia ainda tinha e de repente a perdeu.

A estupenda realização não terminou bem. A nave espacial se espatifou no solo da lua. Outros valores foram muito bem sucedidos. A nave espacial de um país tão pequeno como Israel enfrentou potências mundiais, que lançam naves com gastos estatais de bilhões de dolares. Em Israel firma privada, construiu nave espacial do tamanho de máquina de lavar. Lançou-a de “carona” num missil que foi ao espaço com satélites de comunicação e de leva carregou “ a máquina de lavar”, que fez tudo certo até… Este evento ímpar, fez com que muitos jovens se interessassem pelo assunto e os estudos a ele relativos. Como disse o Presidente Rivlin, que recepcionou na sua residência 80 jovens amantes das ciências:” nosso país não é rico em materias primas , o nosso capital é humano”.

Israel se tornou o 7º país a conseguir levar nave espacial que gira em volta da Lua e quase o 4º – dos mais de 200 países do mundo- a fazer aterrizagem na lua. Fica para daqui a uns 2 ou 3 anos. Como disse um dos 3 engenheiros que iniciaram o Bereshit: “Gênesis é o primeiro livro, depois vêm outros”.
Esta experiência é fantástica e inspira os jovens, dá a uma geração inteira sensação de preparados. Como no “efeito Apolo” que depois do fracasso levou multidões a estudos científicos, assim acontecerá em Israel.
Comentários inesperados vieram de milhares de cidadãos de paises árabes.

Expressaram sua admiração pela conquista de Israel de levar ao espaço uma nave espacial, enquanto nos países árabes oprimem a população. Internauta da Arabia Saudita felicitou Israel e que não tema o fracasso na fase final, tentará e conseguira na próxima. Admiro este país.
Enquanto vemos que nos países árabes nada muda, mais um golpe de Estado, desta vez no Sudão. Na fronteira da Faixa de Gaza, palestinos continuam tentar destruir e enfrentam a cerca e o Exercito de Defesa de Israel. É lamentável. Quando aprenderão que só construindo irão para frente e aí pensarão na paz. Quando esta vier os dois povos prosperarão ainda mais.

COMENTÁRIO A FALA DO EMBAIXADOR PALESTINO COM BOLSONARO

Li na versão da internet do Estadão, que o embaixador Alzeben disse no encontro de 36 embaixadores muçulmanos disse:” que o Brasil deve ficar longe do conflito árabe-israelense”. O presidente da União das Câmaras Árabes, Khaled Hanafi, disse: “é preciso ter cuidado com anúncios que possam afetar o sentimento dos consumidores dessas nações”. Esses 2 gentelmen devem saber que o Brasil é um país independente e autonomo para fazer suas ações. Mais do que isto, devem saber que os povos muçulmanos, que sofrem fome e falta de liberdades, querem comer. É só a opressão que não lhes permite sair as ruas. Seus sentimentos não são politicos, querem é comer e bem. Nem todos são xeiques ou reis. Com tanta riqueza líderes de alguns países poderiam acabar com a miséria dos seus irmãos, mas êles se voltam a outros assuntos. Lamentável.

CURTAS:

CORONEL ALA ABU RUKON foi nomeado a ser o secretário militar do Presidente do Estado de Israel, Reuven Rivlin e promovido a patente de Brigadeiro-General. Atualmente ele foi é o adido militar de Israel na China. Tem 47 anos, mora na aldeia druza de Usefia, no Monte Carmel. Abu Rukon iniciou sua carreira militar na Brigada de Paraquedistas e depois por anos serviu no Serviço de Inteligência. Os druzos se alistam no Tsahal em porcentagem ainda maior do que os judeus.

A CANTORA MADONNA VEM A ISRAEL e se apresentará na Eurovisão. Este concurso musical europeu que se realizará em Israel, em 18 de maio, com a participação de cerca de 40 países é um mega evento. Israel o hospeda desta vez por vencer o concurso do ano passado com a cantora Netta. A Madonna cantará 2 canções e receberá a bagatela de 1.4 milhões de dolares.

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