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O país está ainda impactado ante o fracasso das eleições que ocorreram. No momento em que foi feita a contagem, Netanyahu se apresentou nos canais de televisão radiante, exultando de satisfação e proclamando que aquela tinha sido a sua maior vitória eleitoral. Aconteceu o contrário.

Ele, pela primeira vez, não conseguiu formar o seu Governo, numa situação inusitada. Era certo, à primeira vista, que ele tinha a maioria legal para constituir o Governo. O mínimo de 61 deputados é o exigido. E ai veio a surpresa, que já é de todos conhecida, mas até agora com certos aspectos incompreensíveis. Em poucas palavras:

Um pequeno partido que conseguiu apenas 5 cadeiras no Parlamento liderado pelo Sr. Liberman (cognominado “O Russo”), virou herói e traidor ao mesmo tempo. Quando parecia que tudo já estava arrumado, ele se colocou numa posição intransigente exigindo que o Governo recém eleito legislasse obrigando aos Haredim a prestarem serviço militar, sem exceções, que atingiria assim milhares de jovens que estudam Torá nas Yeshivot, isentos de serviço militar.

Não vamos entrar em grandes detalhes, mas, resumindo: Mais de 20 partidos concorreram nesta eleição. Teoricamente, somente Netanyahu contava com número de votos para formar o Governo. A oposição, em particular um novo partido “Azul e Branco”, conseguiu um resultado surpreendente, mas não tinha número suficiente de votos necessários.

Quando tudo parecia já finalizado, Liberman fez aflorar a incongruência do sistema eleitoral de Israel. Como é que pode coexistir num mesmo Governo um partido liberal, laico e intransigente em relação aos religiosos, em contrário a um partido de religiosos, também intransigente na defesa de seus interesses, como no caso, a isenção de serviço militar para os Haredim.

Netanyahu poderia informar o Presidente de que nada havia conseguido e este, por sua vez, poderia nomear outro político que fizesse sua tentativa. Mas, intransigente como ele é, preferiu colocar em votação a dissolução do Parlamento e convocar novas eleições, que ocorrerão dentro de 3 meses.

A confusão está armada. Os meios de comunicação saboreiam um prato especial e são 1001 as especulações. Como é que vai ficar? E se a situação se repete, e novamente há uma paralisação? Qual a possibilidade de se formar um amplo Governo de coalizão, até com os partidos de esquerda que Netanyahu já havia antes consultado, tentando atrair o partido Avoda para solucionar a crise, sem resultado?

Os deputados recém eleitos e que logo em seguida se demitiram, saem agora com as mais esdrúxulas declarações. Um deles do Likud ambiciona ser o futuro Ministro da Justiça, porque ele quer implantar – acreditem se quiser – que passe a vigorar em Israel, em primeiro plano, a Lei da Torá, como era nos tempos dos Reis David e Salomão!!!

A proposta acima foi publicada e recebida como algo folclórico, e houve um comentarista que burlando disse que se Netanyahu vier a ser condenado nos três processos, pela Lei da Torá, ele poderia ser condenado à morte por apedrejamento que, aliás era a pena a ser aplicada por aqueles que não respeitassem o Shabbat.

Sobre outro deputado auto-demitido, de um dos partidos religiosos que deveria fazer parte do Governo, foi revelado por um jornalista esperto de que havia um acordo para promulgação de uma nova lei, mais ferrenha, visando a segregação entre homens e mulheres em certas atividades públicas.

Netanyahu correu e declarou que ele jamais permitiria que Israel passasse a existir sob o predomínio da Lei Religiosa. Curiosamente, a oposição está muito tranquila, e não se faz ouvir até agora. Mas, não nos enganemos com o redemoinho. Algumas vozes de oposição já se fazem ouvir dentro do próprio Likud, contra Netanyahu. Fala-se claramente no partido Avoda, que o seu líder deve ser deposto imediatamente e convocadas eleições internas para eleger alguém mais competente.

“Balança, balança, mas não cai” foi o que escrevi em alguma outra edição relativamente recente. Netanyahu é como um gato, que tem 7 vidas. Há eleitores que dizem é certo que ele cometeu atos impróprios, mas ele é um líder respeitado mundialmente, e o povo o apoiará cegamente, haja o que houver.

Será que ele cai?

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