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Moisés Jakobson, judeu polonês, foi um dos sobreviventes dos campos de extermínio criados pelos nazistas. Ele viveu grande parte da sua vida em silêncio, se abstendo de contar o que passou em sua juventude durante o Holocausto. Mas, nos seus últimos anos de vida, decidiu contar o que havia passado, relatando os horrores que sofreu e os que assistiu na Europa dominada pelas hordas nazistas.

O sobrevivente Moisés Jakobson, que faleceu em Curitiba em agosto de 2016, passou a contar para quem quisesse ouvi-lo, como uma missão que ele próprio se atribuíra, a de que nunca fosse esquecido o mal perpetrado pelos seguidores do regime nacional- socialista nos anos 30 e 40 do século passado.

Em defesa da liberdade do ser humano, independente de religião, etnia, nacionalidade ou cultura, e pela tolerância, foi que Jakobson, durante anos fez palestras em escolas para estudantes e professores.

Muitas das palestras foram escolares do Município de Araucária, a 30 km de Curitiba, através do Projeto Shoah, criado pela Professora Vânia Eragus. O projeto de Araucária, no último dia 1º agosto prestou homenagem a Moisés Jakobson, inaugurando o Centro Cultural que recebeu seu nome na área do Parque Memorial Romäo Wachowicz. O ato contou com o apoio da B’nai B’rith, da Federação Israelita e da Comunidade Israelita do Paraná.

SOLENIDADE

Discursaram na solenidade o secretário municipal da Cultura de Araucária, Eduardo Tavares Lira; a vereadora Amanda Nassar, presidente da Câmara Municipal de Araucária; o presidente da B’nai B’rith do Paraná, Szyja Lorber; o rabino da comunidade israelita de Curitiba, Pablo Berman; um padre representante do arcebispo de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo; e Sergio Tadeu Monteiro de Almeida, representando o secretário de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos, Ney Leprevost. Entre as personalidades presentes estava também o professor Antonio Carlos Coelho, presidente do Instituto Cultural Judaico Brasileiro Bernardo Schulman.

Com a participação da Banda Marcial Municipal de Araucária foram apresentados alguns números musicais antes de serem tocados e cantados os hinos nacionais do Brasil e de Israel. A seguir, houve uma apresentação teatral dos jovens do Grupo Alldeias, baseada no Holocausto.

Logo depois, foi feito o plantio de árvores (araucaria angustifolia) em homenagem à memória de alguns sobreviventes do Holocausto já falecidos: Moises Jakobson e Sara Goldstein, de Curitiba; Ben Abraham, de São Paulo; Aleksander Laks, do Rio de Janeiro; e também o irmão da B’nai B’rith, Isaac Cubric, que durante sua vida dedicou-se à causa da Educação para o Holocausto.

A família de Moises Jakobson cortou a fita do Centro Cultural que levou seu nome e descobriu o busto na entrada do local, que também mantém uma exposição de objetos e obras de arte sobre o Holocausto. Foi em Araucária, no final do Império, e início da República, em 1889, que a cidade se tornou o berço da imigração judaica no Paraná.

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