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À escola vamos sorridentes
Ela nos forma o coração
No cumprimento do dever
E a golpes de Arte e Instrução
Nos abre as portas do saber
Hino do Colégio Arte e Instrução

Na Avenida Ernani Cardoso, subúrbio de Cascadura – RIO, erguia-se o velho prédio. Milhares e milhares de estudantes ali passaram alguns dos melhores anos de suas vidas … fechado há anos, resistiu até sucumbir ante o descaso com a Educação e a Memória. Com muita tristeza, seus antigos alunos poderão somente admirar a fachada, apenas ela tombada pelo Patrimônio.

Castigado pelo rigor do tempo, o nome famoso gravado no portal teima em não se deixar abater, não desaparecer. Como por milagre, ainda parece ter acabado de sair das mãos de hábil artista. As paredes pichadas resistem o quanto podem, mas até quando? Nem a chuva, nem mesmo o Sol se atreveu a desafiar as inscrições magníficas, altaneiras sobre a paisagem desolada, lembrando que em torno daquela fachada gravitou uma pujante escola.

Nos tempos duros do subúrbio, o colégio recebia inúmeros alunos das comunidades judaicas que se estabeleceram em seus arredores, Cascadura, Madureira, Campinho, Jacarepagua. Uns, nomes ilustres, outros nomes anônimos, alguns nas listas dos primeiros colocados, lidas nas formaturas. Dedicados mestres nos transmitiram valiosos ensinamentos para a vida.

Aqui lembramos uns poucos nomes que a memória ainda guardou: Jacob Chazin, Max Sznejder (médico da Aeronáutica), Mendel Rabinowitch, Berta Pustilnic, Clara Bermanzon, Estela Birman, Herman Leitman (engenheiro) (todos da Turma de 1959), Mauricio Zaikowaty (Coronel FArmacêutico Diretor do Instituto de Biologia do Exército), Max Rosenburst (professor), Helio Sznejder, Salomon Blajberg (lutador social contra o Apartheid), Hanka Inowroclawski, Dawid Aronson, Israel Falex, Marina Tyszler, Henrique Chiganer, Bella Belc e tantos mais…

Histórico colégio fundado pelo ilustre educador Ernani Cardoso, cujo nome honrado adorna a avenida onde se situa esta instituição que tão bem formou gerações e gerações de cidadãos e patriotas., agora apenas imenso terreno vazio, conspurcado pelas máquinas, onde outrora se ouviam as algazarras na hora do recreio, os ensaios do Coral, as Bandas de Música, os alunos se preparando para mais um desfile. O complexo poderia ter sido salvo, utilizado como escola, clube, ou qualquer outra finalidade que lhe preservasse o valor social, histórico, memorial.

Muitas alegrias, algumas tristezas… foi no pátio do Arte e Instrução que descobri a Shoá … devia ter uns 12 anos… minha mãe veio me buscar, estava conversando com uma senhora. Perguntei… mamãe, que número é esse, tatuado no braço daquela senhora? Ela chorou, mal conseguia falar.

Havia transcorrido apenas uma década do infame holocausto… Saudades… meus pais diziam que podia faltar comida em casa, mas nunca atrasaram a mensalidade do Arte e Instrução… eram sábios… Abram Blajberg, Z”L e Perla Blajberg, Za”L.

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.