A história dos judeus na Ucrânia

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Houve um tempo, no qual os vastos territórios do Império Russo, abrigaram a maior população judaica do mundo. Dentro desses territórios a comunidade judaica se desenvolveu e deu origem as mais distintas tradições teológicas e culturais do judaísmo moderno, ao mesmo tempo em que enfrentou períodos de intensas políticas discriminatórias e perseguições anti-semitas. Segundo a tradição, os judeus se encontravam nas regiões que correspondem ao sul da Rússia, Ucrânia, Armênia e Geórgia desde a época do Exílio da Babilônia. Além disso, existem registros do século IV que demonstram que havia cidades armênias com populações judaicas junto com assentamentos judaicos em Criméia.

Depois da derrota do reino de Jázaro de Sviatoslav em 969, os judeus da região fugiram para o principado russo de Kiev que era parte do território Jázaro. Nos séculos XI e XII, os judeus ocuparam uma determinada região de Kiev conhecida como o povoado judeu, em russo antigo zhidove, que tinha suas entradas conhecidas como os portões judeus, zhidovskaya vorota. Nessa época a comunidade de Kiev estava voltada a Bizâncio (os romaniotes), Babilônia e Palestina, mesmo estando progressivamente mais aberta aos ashkenazim europeus a partir do século XII. De qualquer maneira, produtos da atividade intelectual judaica em Kiev foram preservados desde essa época até os dias de hoje.

Mesmo que na região nordeste da Rússia existiam poucos judeus, as regiões do oeste tinham mostrado um rápido crescimento da população judaica. As ondas de expulsões e os “pogroms” dos países da Europa Ocidental na Idade Média resultaram no deslocamento de uma porção importante da população judaica a países mais tolerantes da Europa Central, do leste europeu e do Oriente Médio. Expulsados massivamente da Inglaterra, França, Espanha e da maioria dos países europeus em diferentes momentos e perseguidos na Alemanha no século XIV, muitos judeus da Europa Ocidental aceitaram o convite do governante polonês Casimiro III, de se estabelecerem em áreas controladas pela Polônia no leste europeu, realizando serviços de intermediação comercial em uma sociedade agrícola para o Rei polonês e a nobreza entre 1330 e 1370.

Depois de se estabelecerem na Polônia, na mancomunidade de Polônia – Lituânia e na Hungria, a população expandiu-se em áreas pouco povoadas da Ucrânia e Lituânia que com o passar dos anos iriam se converter em parte do Império Russo em expansão. Nos “Shtetls” quase que praticamente povoados apenas por judeus ou em povoados onde os judeus significavam uma boa parcela da população, as comunidades judaicas tinham suas próprias leis e se governavam de acordo com a Halachá e se limitavam aos privilégios concedidos pelo governante local. Estes judeus não estavam assimilados nas sociedades do leste europeu e se identificavam como um grupo étnico com um conjunto único de crenças e práticas religiosas, assim como uma posição econômica particular.

BABI YAR

Kiev foi ocupada entre os dias 19 e 20 de setembro de 1941 pelo exército alemão. Na cidade viviam 875.000 pessoas dentre as quais 175.000 (aproximadamente 20%) judeus. Nos primeiros dias da ocupação os judeus foram perseguidos e humilhados de uma maneira espontânea e não organizada. No dia 24 de setembro de 1941, diversas bombas foram detonadas nas ruas de Kreshchatik e de Prorizna de Kiev, que haviam sido colocadas por comandos do NKVD, destruindo diversos postos do exército alemão como também diversos hotéis, nos quais estavam oficiais alemães. Como conseqüência das explosões, numerosos soldados e oficiais alemães acabaram feridos e mortos.

Uma vez a cidade estando segura, no dia 26 de setembro, foi realizada uma reunião de oficiais nazistas, na qual decidiram que a represália mais apropriada seria a aniquilação de todos os judeus de Kiev.
A campanha contra os judeus de URSS foi dirigida de uma maneira completamente diferente da campanha contra os judeus da Polônia e de outros países europeus. O estabelecimento de guetos não foi planejado desde o início, o principal objetivo era a aniquilação total.

Babi Yar é o nome de um barranco situado fora de Kiev, Ucrânia. O massacre de Babi Yar aconteceu quatro meses antes da Conferência de Wannsee, na qual decidiu-se a Solução Final para o problema judeu. (Wannsee foi visitado pelo “Amigos de Israel” em 2009). Os judeus de Kiev foram reunidos no cemitério sem entender o que estava acontecendo. Eles acreditavam que seriam transladados a campos de trabalho, devido a um rumor feito pelos alemães. Estando em Babi Yar, lhes foi ordenado que ficassem sem roupas, nus, que empilhassem suas roupas e que ficassem parados na beira do barranco, onde seriam baleados e mortos. Mulheres judias nuas, algumas com suas crianças em seus braços, idosos, homens e crianças caíam mortos pelos tiros dos nazistas e a frente dos gritos de júbilo e alegria dos habitantes ucranianos da região.

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A Delegação de “Amigos de Israel” visitará a cidade de Kiev entre os dias 11 e 14 de abril de 2010 e fará uma marcha de solidariedade em Babi Yar, No Dia do Holocausto – Yom Hashoá, no dia 12 de abril de 2010.