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Na cidade de Jersey City, do outro lado do rio Hudson, na frente da ilha de Manhattan, nesta última terça-feira, dois homens armados invadiram e abriram fogo num supermercado casher que fica no meio da comunidade chassidica de Satmar da cidade. Seis pessoas foram mortas incluindo os dois assassinos que se identificavam com os Hebreus Negros – um grupo extremamente antissemita, anti-branco e anti-policia. O evento adicionou a cidade a uma lista crescente daquelas que sofreram agressão e assassinatos anti-judaicos, incluindo Poway e Pittsburgh.

Em quase 75 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, os judeus americanos gozaram de uma liberdade e oportunidade sem precedentes e se tornaram uma força extremamente proativa em todas as facetas da vida americana. Inexplicavelmente, hoje, em 2019, vemos um aumento assustador de violência antissemita.

O último relatório do FBI mostra que em 2018, 58% dos crimes de ódio foram cometidos contra judeus. Somente 18% contra muçulmanos; 4.5% foram anticatólicos e os outros 20% foram contra mais de 11 grupos. É uma das maiores taxas anuais de incidentes antissemitas em quase 40 anos. Em uma entrevista coletiva após o ataque de Jersey City na quarta-feira, o prefeito da cidade de Nova York, Bill De Blasio, declarou que “há uma crise de antissemitismo no país”.

Ontem a sinagoga de Beverly Hills em Los Angeles foi vandalizada. Assentos foram quebrados, talitim rasgados, armários derrubados e livros de oração jogados pelo chão. O prefeito de Beverly Hills John Mirish disse que este não “foi um ataque só contra a comunidade judaica, mas um ataque a todos nós.”

Dois dias depois do massacre em Jersey City, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para combater o antissemitismo instruindo o Departamento de Justiça e o Departamento de Educação a abordar casos de discriminação contra judeus de acordo com a Lei dos Direitos Civis, que estipula que a discriminação com base em “raça, cor ou origem nacional” é proibida.

Também adota a definição de antissemitismo da Aliança International pela Lembrança do Holocausto, que afirma que os esforços para demonizar, deslegitimar ou aplicar padrões duplos a Israel são antissemitas.

Alan Dershowitz, o celebrado jurista e professor de Harvard, aplaudiu efusivamente o presidente durante a cerimonia que foi noticiada em apenas um canal.

Vamos por de lado hoje as reações da esquerda sobre a ordem que foram desde alegações de cerceamento de liberdade de expressão e críticas a Israel a um debate perturbador sobre se os judeus são uma nação, raça ou religião, passando por afirmações absurdas de que sua promulgação marca o início de uma era sinistra destinada a separar o povo judeu do resto do povo americano.

A única coisa necessária para o triunfo do antissemitismo é que aqueles que tem voz, a mídia, os jornalistas, não façam nada, não digam nada – a menos que seja politicamente conveniente. Lamentavelmente, muitos dos principais meios de comunicação aqui estão fazendo exatamente isso.

Vamos ver, por exemplo, o jornal Washington Post que é de Jeff Bezos, dono da Amazon. No dia 1 de dezembro último, o jornal publicou um perfil grandioso e cheio de elogios sobre uma tal Valerie Plame, uma ex-funcionária da CIA que agora está concorrendo a uma cadeira no Congresso no Novo México. O artigo incluiu várias fotos dela com celebridades de Hollywood e no Congresso Americano. Eles omitiram, no entanto, que ela pensa que “são os judeus americanos que estão conduzindo as guerras da América” como declarado num artigo que ela compartilhou de uma publicação “racista e antissemita”. O fundador desta publicação é um negador do Holocausto, repete a alegação que judeus bebem o sangue de não-judeus, afirmou que os judeus controlam a mídia e adoram Satanás. Plame é fã desta publicação tendo compartilhado vários outros artigos do site.

Nada impede que ela seja uma fã deste energúmeno. Mas o Washington Post nem sequer mencionou o fato que o próprio jornal publicou em setembro, antes dela se candidatar pelo partido democrata.

Não há justificativa para a falha flagrante do Post. Lamentavelmente, esta não é a única instância do Post encobrindo o sentimento antisemita da esquerda. Em 26 de novembro de 2019, em um artigo sobre a crítica do rabino inglês Ephraim Mervis a Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, por não abordar a crescente onda de antissemitismo em seu partido, descreveu Corbyn de modo enganoso, chamando este antissemita em série de “forte defensor dos direitos palestinos” e crítico feroz do governo de direita de Israel.

Isso é comprovadamente falso. Está mais que documentado que membros e ativistas do Partido Trabalhista inglês elogiaram terroristas, apoiaram a negação do Holocausto, comparam israelenses a nazistas e afirmam que Israel não deveria existir.

Mas o jornal não está sozinho no encobrimento do antissemitismo da esquerda. Muitos meios de comunicação social dedicaram uma cobertura considerável à decisão de Israel de barrar a entrada das congressistas norte-americanas Ilhan Omar (D-Minnesota) e Rashida Tlaib (D-Michigan). Ambas apóiam o movimento anti-Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que, segundo seu co-fundador Omar Barghouti, busca a destruição do estado judeu. Já em 2016 foram encontrados laços entre o BDS e grupos terroristas.

No entanto, a maioria das principais agências de notícias, incluindo o Post, USA Today e Politico.com, não notou que foi a organização Miftah, que elogiou homens-bomba e acusou judeus de consumir sangue cristão, que patrocinou a viagem planejada de Omar e Tlaib. O USA Today recebeu documentos da ONG “Monitor”, que monitora organizações sem fins lucrativos, revelando a sórdida história de Miftah – mas se recusou a incluir essas informações na atualização do artigo.

O fato de dois membros do Congresso serem patrocinados por uma organização que propaga libelos de sangue deveria ser digno de ser mencionado na mídia. Mas quando se trata de antissemitismo, o que “se qualifica” como digno de notícia está sendo cuidadosamente definido por um quarto estado que não está disposto frear um vírus que na memória da humanidade, matou milhões.

A história lembrará por muito tempo o que eles estão encobrindo. E não vai perdoar. A questão do antissemitismo é real demais para se tornar mais outra questão partidária entre direita e esquerda. A morte de vítimas inocentes em Jersey City, Poway e Pittsburgh significa que é hora de iniciar uma discussão franca e séria.

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