A convite de Lula, judeus do Brasil participam de diálogo pela paz em Israel

Com um jantar na residência oficial do presidente Shimon Peres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu o primeiro de dois dias de visita oficial a Israel. Foi um jantar para poucas pessoas, e dele participaram os presidentes da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, e do Congresso Judaico Latino- Americano, Jack Terpins. Nesta terça, Lottenberg e Terpins devem, a convite de Lula, participar de um encontro com representantes da sociedades civis israelense e palestina. O dia se caracterizou por encontros políticos e discursos polêmicos, proferidos numa sessão solene da Knesset (Parlamento de Israel) pelo seu presidente Reuven Rivlin, pela líder da oposição Tzipi Livni e pelo primeiro ministro Binyamin Netaniahu, os três focados na questão do Irã.

Em resumo, os pronunciamentos dos três políticos israelenses podem ser divididos em duas partes: na primeira, houve elogios a Lula, com menções ao significado histórico de sua viagem a Israel, ao bom relacionamento com a comunidade judaica brasileira, à sua participação em eventos comemorativos do Dia do Holocausto, o mais recente deles em sinagoga do Recife e, entre outras referências econômicas, ao seu programa de inclusão social de milhões de brasileiros e à entrada em vigor, em abril, do tratado de Israel com o Mercosul, o primeiro com um país de fora da América Latina. Na segunda, exortaram o presidente Lula a se juntar aos demais países, principalmente do ocidente, na condenação ao Irã por suas ambições nucleares engrossando as vozes em favor de sanções econômicas e diplomáticas ao país.

Em seu discurso, no final da sessão solene, Lula não respondeu diretamente à convocação dos três políticos israelenses, mas reforçou a importância do diálogo e da negociação como forma de buscar resolver a questão iraniana. Ele disse que sua formação política e conquistas se devem principalmente ao diálogo. Reafirmou a proibição constitucional de o Brasil produzir e utilizar armas nucleares e que “gostaria que o exemplo de nosso continente (AL) pudesse ser seguido em outras partes do mundo”. Em discurso a empresários, pela manhã, Lula disse: “Não me lembro do dia em que briguei com alguém”.

Na Knesset, ao se referir ao conflito com os palestinos, Lula reiterou sua posição a favor de dois estados soberanos, pacíficos, seguros e viáveis, repudiando o terrorismo praticado sob qualquer pretexto e por quem quer que seja. “Essa postura se faz ainda mais necessária agora quando assistimos a uma paralisação das negociações e a iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção de residências em Jerusalém, às vésperas do reinício de uma rodada de negociações. O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos ocupados. Mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda. Temos urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia”.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Liberman, não compareceu ao discurso de Lula na Knesset em protesto ao fato de o presidente brasileiro não ir prestar uma homenagem no túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista moderno. Informação que chegou ao cerimonial do Itamarati dá conta do seguinte: de fato, fazia parte do protocolo das visitas de chefes de Estado passar pelo mausoléu do fundador do sionismo. No entanto, vários presidentes e primeiro-ministros pediam para excluir este evento do roteiro de suas viagens, alegando as mais diversas razões. Depois da morte de Rabin, em 1995, e a construção de seu mausoléu, os visitantes estrangeiros passaram a homenagear o Prêmio Nobel da Paz e seu papel na tentativa de construir a paz no Oriente Médio. Desde então, o ministério das Relações Exteriores de Israel decidiu retirar do protocolo do seu cerimonial a obrigatoriedade da visita ao túmulo de Herzl.

No dia 9 de março, o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, foi ao túmulo de Herzl e depositou uma coroa de flores. Este ano marca o sesquicentenário do nascimento do fundador do sionismo moderno. Nos encontros privados, Lula vem afirmando, com insistência cada vez maior, de que não é “amigo” do presidente Mahmud Ahmadinejad e tem com ele apenas relações institucionais entre dois chefes de Estado e de governo. “É nessa condição”, repetiu aos seus interlocutores israelenses, “que viajo para o Irã em meados de maio. Quero buscar garantias de que os reatores nucleares iranianos não se destinam à produção de armas nucleares. E espero ter essas garantias”.

Nesta terça, Lula visita o Museu do Holocausto (Yad Vashem) onde vai depositar uma coroa de flores e provavelmente acender uma tocha; depois plantará uma árvore no Bosque de Jerusalém; no final da manhã terá um encontro com um grupo de representantes das sociedades civis israelense e palestina, constituído de parentes de vítimas do conflito e, na hora do almoço, partirá para a cidade de Belém, onde pernoitará depois de se encontrar com dirigentes da Autoridade Nacional Palestina. Ele deverá conceder uma entrevista coletiva durante a qual poderá fazer um balanço de sua viagem.

De manhã, participou de um encontro empresarial e no discurso de encerramento elogiou “com grande otimismo o lançamento pelo governo e Israel do programa Shavit, que vai replicar no Brasil o modelo de planejamento e espírito empreendedor que cria celeiros de inovação e atrai investimentos em larga escala para Israel”. Neste encontro, citou nominalmente os empresários Ivo Rosset, Daniel Feffer e Ivoncy Ioschpe.

Fonte: CONIB

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