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via WUPJ – Exercitar a memória é um valor que devemos preservar, mas não desde uma perspectiva utilitária; ao contrário, revivendo o fato como testemunhas do que ocorreu. E essa não é uma agenda da comunidade judaica; é da sociedade argentina.

Com o atentado à embaixada de Israel, a Argentina deixou marcada o cenário geopolítico de uma nova forma de terror. No ano 1992, Buenos Aires foi o epicentro do terrorismo internacional. Fomos os primeiros em sofrer um atentado terrorista e ao que tudo indica, seremos os últimos a encontrar justiça.

O segundo, dois anos mais tarde, foi o atentado à AMIA que nos fez reviver o terror, em 19 de julho de 1994. Não havia diferenciação de credo ou ideologia entre as vítimas; o alvo foi a população geral. Isto significa que não corresponde apenas a uma minoria a resposta pelo agravo a toda uma nação.

A morte do procurador da nação, Alberto Nisman, foi o terceiro atentado. Mataram ao procurador, e com ele, mataram também as causas, que não avançam. A Argentina deve declarar o Hezbollah uma organização terrorista, pelo que ocorreu no nosso território. Mas isto ainda não está definido. Faltam-nos ferramentas, não para reivindicar vítimas da comunidade judaica ou do estado de Israel, mas para reivindicar por todos os argentinos.

No dia 18 de julho, continuaremos como há 25 anos, pedindo por justiça frente ao atentado à AMIA.

Entre o real e o possível, a Argentina deve deixar de alimentar a impunidade, para acabar com a tosca zombaria de uma impunidade que já completou um quarto de século. “Justiça perseguirás” é um slogan que ocupa o lugar da única resposta possível para não vivermos diante de um triunfo silencioso desse monstro de duas cabeças que se sofre mutações e não morre, que são o terror e a impunidade.

Devemos continuar trabalhando para encontrar as ferramentas adequadas para que a justiça possa ressarcir a dívida social e o vácuo que existe há 25 anos, desde a AMIA; 25 anos sem justiça.

Adaptado do texto do rabino Sergio Bergman, Secretário de Governo do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; rabino fundador de Fundación Judaica.

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