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Em 2005 a Assembleia Geral da ONU designou como Dia Internacional de Recordação em Memória das Vítimas do Holocausto o 27 de janeiro, quando no distante 1945, há exatos 75 anos o Exército Vermelho libertou Auschwitz, encontrando apenas 7 mil judeus ainda vivos.

6 milhões de judeus não tiveram a mesma sorte, perecendo como mártires. Eles não puderam ter armas nas mãos, como 1,5 milhão de soldados judeus dos exércitos das 19 Nações Aliadas que ajudaram a esmagar a Alemanha Nazista.

O Brasil também esteve presente na Assembleia Geral da ONU de 2005, quando nosso ilustre Embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, Representante Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, pronunciou no plenário palavras de firme apoio em favor da Resolução.

Aqui rendemos homenagem aos milhares de bravos soldados das Forças Brasileiras de Terra, Mar e Ar que enfrentaram os nazistas, seja no front italiano, seja nas nossas águas territoriais invadidas pelos submarinos alemães.

Merecidas honras também a Aracy Guimarães Rosa, herdeira da coragem de uma Maria Quitéria, rasgando as Circulares Secretas do Itamaraty, assim como o Embaixador Souza Dantas, que salvou vidas no inferno europeu, reconhecidos pelo Instituto Yad Vashem de Jerusalém como JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES.

Também no Brasil aconteceu o Holocausto. O submarino nazista U-507 afundou navios mercantes nacionais, onde se encontravam vários judeus brasileiros, cujo processo de reconhecimento foi apresentado ao Yad vaShem, como vítimas do Holocausto no Brasil.

A Alemanha pagou caro pelos crimes nazistas. O comandante do infame campo de Auschwitz, Rudolf Hess, da SS, foi enforcado em 1947 por crimes contra a Humanidade, bem na frente dos fornos crematórios. Outros nazistas também tiveram o mesmo destino, ditado pelo Tribunal de Nuremberg, como Jodl, Kaltenbrunner, Frick, Seyss-Inquart, Rosenberg, Streicher, Hans Frank, Jurgen Stroop e outros. Na guerra assimétrica entre os nazistas e o Povo Judeu, a Alemanha foi derrotada, ainda que ao custo de milhões de baixas.

Em 2003 uma esquadrilha de 3 aeronaves F-15 da Força Aérea de Israel decolou da Base Aérea polonesa de Radom, executando um sobrevôo sobre Auschwitz. Os pilotos tiveram familiares mortos no Holocausto, inclusive o comandante Brigadeiro Amir Eshel, que transmitiu pelo rádio tocante mensagem: “…ao escutar o grito silencioso dos heróis e mártires, saudamos a sua bravura, e prometemos proteger a Nação Judaica, e a sua Terra, Israel…”.

Agora em 2020, pela 15ª. vez o mundo sofrido reverencia os heróis e mártires do Holocausto. No Brasil o 27 de janeiro contou quase sempre com a presença dos Presidentes da República. Logo em 2006 aconteceu a primeira solenidade, junto ao Monumento do Holocausto no Cemitério de Vila Rosali. Outras se seguiram, sempre com elevado significado. No Rio em 2008, o saudoso Brigadeiro Ruy Moreira Lima emocionou o público com suas recordações da guerra e dos campos de extermínio.

Em pleno 2020 o mundo sofrido observa, enquanto os aiatolás maquinam perversamente o que chamam de mundo sem sionismo, que pretendem, deverá existir daqui a 25 anos. A intolerância se manifesta sucessivamente, seja em um cemitério na Alsácia, no Metrô de Nova Iorque, numa sinagoga do Brooklyn, onde houver uma Estrela de David, alguem que use kipá, ou apenas ande pela rua com vestes tradicionais judaicas.

Há que combater a face horrenda do anti-semitismo, buscando uma sociedade melhor, democrática, pluralista, tolerante, fraternidade entre as religiões. Urge permanecer alerta. Terrorismo e totalitarismo avançam novamente com muito pouca contestação, como aconteceu com o nazismo diante da apatia mundial. Se as nações que prezam a liberdade, igualdade e democracia não se unirem contra as novas ameaças, tudo pode acontecer outra vez. No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, reafirmamos o nosso compromisso: HOLOCAUSTO NUNCA MAIS! VIVA O BRASIL!

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Israel Blajberg
Há 10 séculos seus antepassados paternos saíram de Bleiberg, na Carinthia (Áustria), firmes como o chumbo (Blei) e imponentes como a montanha (Berg), entrando na Polônia sob o Grande Rei Kazimierz. Teve a honra de ser o primeiro Blajberg nascido no Brasil (Rio de Janeiro, 1945), estando hoje a família na terceira geração verde-e-amarela. Professor da UFRJ e UFF e Engenheiro do BNDES, aposentado em 2015. Palestrante e Autor de livros e artigos sobre Historia do Brasil, Militar, Judaica, Genealogia e Viagens. Membro das Ordens do Mérito da Defesa, Naval, Militar e Aeronáutico, e Medalha Pro-Memoria da Republica da Polônia.