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por Rabino Adrián Herbst – A maioria do nós se emociona e se enche de orgulho quando ouvimos alguma noticia sobre Israel. E não é para menos, já que o Estado de Israel em sua curta existência tem alcançado êxitos educativos, tecnológicos, culturais e sociais que poucos estados do mundo podem imitar.

Theodor Herzl escreveu no seu livro Tikvateinu (Nossa Esperança) que a criação de um estado judeu ia ser o começo e não o ponto de chegada de uma nova era para o Povo Judeu; o desafio menor será criar um estado, o desafio principal será conseguir uma boa relação entre este estado e as comunidades judias da Diáspora.

Hoje, quando já transcorreu mais de um século do momento em que Herzl escreveu estas ideias, e a 69 anos da criação do Estado de Israel, talvez chegou o momento de nos perguntar e de repensar a nossa relação com Israel.

Alguns anos atrás eu li uma ideia que a principio me pareceu muito engraçada, mas depois me dei conta que é muito triste e que deve servir para pensar, questionar e debater nossa relação com Israel e portanto nossa identidade como judeus. O texto dizia que nosso povo é o mais neurótico do mundo já que durante 2000 anos rezamos, choramos e imploramos pelo retorno a Israel, o sonho se realiza e a maioria do nós vivemos como se não houvesse acontecido nada. É mais, de acordo com um estudo realizado no ano passado, mais de 50% dos judeus do mundo nunca esteve em Israel! E isso não é o resultado de problemas económicos, já que a maioria de essas pessoas viajaram a outros lugares do mundo. Simplesmente sentiram que é mais “tentador” viajar para Disney, Nova Iorque, antes do que Jerusalém.

Talvez devemos nos perguntar qual deveria ser o nosso verdadeiro vinculo com Israel e com o Sionismo? Ensinar que a única forma de ser sionista é fazer aliá é um erro que já o próprio Estado de Israel assumiu que se te inculcam que a única forma de ser sionista e de ser fiel à Israel é fazer aliá, e depois não consegues concretiza-la, você se sente tão frustrado e envergonhado que muitas vezes acaba por afastar-se da Comunidade.

Acredito que chegou o momento de entender e assumir um novo conceito de Sionismo e de relação com Israel. Temos que nos apropriar (assunto que o próprio Estado de Israel já fez há vários anos!) da importância de Post Sionismo. Cuidado, não nos deixemos enganar pelo seu nome (o qual concordo que não é o mais adequado!), não nos referimos a que vivemos em uma era posterior ao Sionismo, mas que este é o termo para se referir à nova dimensão do Sionismo.

O Post Sionismo é compreender que o Povo Judeu está composto por um centro principal (que é o Estado de Israel) e muitos centros dispersos por todo o mundo (as diferentes Comunidades). Todos os centros são importantes e é necessário trabalhar pelo fortalecimento de todos os centros. Ser sionista nessa nova concepção é trabalhar pelo crescimento físico e espiritual de sua Comunidade, e ao mesmo tempo aportar o crescimento físico e espiritual do Estado de Israel desde a sua própria Comunidade.

Ser sionista, de acordo com esta ideia, é trabalhar com toda a sua energia pela constante melhoria da Comunidade Judia da Argentina, colocando Israel como um dos seus componentes educativos centrais. É possível ser sionista e ser fiel a Israel, sem concretizar a sua aliá!

Obviamente, é e bom esclarecer, que o Post Sionismo não nega a aliá. A apoia e a vê como um componente importante e central, mas não é a única e exclusiva forma de ser sionista e fiel a Israel.

Você tem a possibilidade de escolher entre duas opções de igual validade e importância. Fazer aliá ou ficar e trabalhar pelo melhoria da tua própria Comunidade.

O esforço não deve estar em modificar as ações da nossa Comunidade, já que na prática a maioria das Comunidades funciona de acordo com a concepção do Post Sionismo. O atrevimento deve estar em ser sincero com as nossas concepções e nossos discursos. A mudança de paradigma deve ser discursiva, e não atitudinal.

Para finalizar este breve artigo, quero lembrar o que dizia o Rabino Abraham Ioshua Heschel “O povo de Israel é uma arvore cujas raízes estão na Terra de Israel e cujos galhos estão na diáspora. Uma arvore não pode florescer sem raízes. Más como pode dar frutos sem galhos?”

O nosso desafio é claro: Cuidemos com a mesma força e intensidade das raízes, e também dos galhos!

por Adrián Herbst é rabino da Fundación Judaica