O mundo mudou, mas continua tudo igual - por Herman Glanz
A guerra da Geórgia, no início deste mês, fez ocorrer uma mudança no equilíbrio de poder no mundo. Fez ver o que não era visto, ou melhor, do que se não falava. No fundo, tudo igual ao que era antes, por paradoxal que pareça.
A Ossétia do Sul, parte integrante da República da Geórgia, vinha provocando continuadamente, com ataques, o governo central da Geórgia, porque há grupos que querem que a Ossétia do Sul se torne independente da Geórgia. A Geórgia foi à guerra contra os ataques e a separação e a Rússia, que incentivava as provocações, interveio com todo o seu poderio contra a Geórgia, acabando por reconhecer a separação. A Rússia fez o que desaprovou quando da separação de Kosovo. A Rússia acaba de demonstrar que o mundo só entende de força, seja Bush ou Putin, Ho Jim Tao, Ahmadinejad e até Chávez, que só falam no emprego de força.
Mas essa guerra da Geórgia traz à luz conseqüências. A Rússia vem armando o Irã de Ahmadinejad, que não deixa de falar em atacar o Ocidente e também de fazer varrer Israel do mapa, ou melhor, fazer varrer do mapa a entidade sionista. Isso significa mais um Holocausto, e Ahmadinejad nega o Holocausto da II Guerra. Diz ainda Ahmadinejad lamentar que todos os judeus não estejam concentrados em Israel, pois isso facilitaria a eliminação.
Os Estados Unidos estão ocupados com sua campanha eleitoral – Obama e Mc Cain, Biden e Sarah Palin, seus candidatos a Vice.
Os jornais israelenses publicam notícias de que Israel não pode permitir e não permitirá um Irã nuclear e que há preparativos para atacar as instalações nucleares e militares iranianas, com emprego de aviões sem piloto, sendo a primeira vez que tais aviões seriam empregados para ataque. Por sua vez o Irã declara que um ataque ao seu país desencadeará uma nova Guerra Mundial.
O Irã possui uma grande quantidade de mísseis – fala em 11.000. Uma rede de mísseis antimísseis está sendo montada em Israel. A Rússia, que ajuda o Irã, já indica que enviará para ao Irã interceptadores de mísseis-antimísseis. Uma guerra tecnológica. Por outro lado, o Irã arma o Hizbollah, ao norte de Israel, e o Hamas, ao sul.
Loucos não faltam para desencadear guerras. Ahmadinejad não se cansa de falar em atacar o Ocidente, especialmente Israel. Os perigos existem e nunca deixaram de existir. A Rússia não abre mão de seu espaço territorial e de influência. E não deixa de empregar seu velho estilo, desde os tempos czaristas, conquistando territórios pela força, como mostrou na Geórgia, por meio de bombardeios de áreas civis.
Os Estados Unidos estão ocupados, conforme dissemos. Israel está ocupado, com seu Primeiro Ministro, Olmert, prometendo sair de cena, no mês de setembro, mas antes de sair vai fazendo gestos de boa vontade, como diz, para Mahmoud Abbas, o Presidente da Autoridade Palestina. E os palestinos sempre exigem mais e Olmert quer sair de cena com um acordo.
No fim, quem sofre são os judeus. Tudo igual.


















