Filme mexicano lento por opção do diretor
O filme é mexicano, Parque Via, dura 80 minutos que parecem muito mais, e isso por opção do seu diretor, o espanhol Enrique Rivero, interessado em mostrar a monotonia vivida por um zelador de uma rica mansão, na Cidade do México. Com um objetivo – acentuar a existência de uma sociedade mexicana de castas bem divididas, a dos ricos geralmente de origem européia e a dos pobres, na maioria de origem índia, entregando-se a esta última as atividades menos criativas e sem interêsse, que poderiam ser feitas por robôs.
Tanto que o personagem do filme Beto, é vivido por Nolberto Cora, na verdade o zelador há 30 anos de uma mansão pertencente à família do diretor Rivero. Esse convívio com um empregado fiel à família levou Rivero a afirmar em sua entrevista à imprensa que os patrões desses dométicos nem imaginam a que preço de vida se pode calcular tal fidelidade. Rivero também explicou sua opção por um tempo ou ritmo lento do filme, ao contrário dos filmes americanos, com a intenção de marcar ainda mais a rotina despersonalizante vivida por Beato. Instruções nesse sentido foram dadas ao próprio montador do filme.
A escolhado filme mexicano faz parte do grande destaque dado pelo diretor Frédéric Maire aos filmes latinoamericanos, presentes na competição e nas mostras paralelas do Festival de Locarno. Rivero comenta a presença da violência na televisão, único ponto de contato do personagem do seu filme com a realidade, e que teria movido Beato ao fim do filme. A violência dá audiência e, por isso, diz Rivero, sua presença constante nos filmes americanos. Embora não saiba dizer como se enfrentar essa escolha violenta sempre presente no vídeo, ele afirma que cada pessoa deve saber se deve aceitar ou entrar nessa oferta de mundo violento.


















