Filme brasileiro provoca controvérsia
O filme brasileiro que estreou em Locarno, do cineasta Kiko Goifman e participação de outro cineasta Jean-Claude Bernadet deixou alguns expectadores com a pulga atrás da orelha. O filme tem por titulo Filmefobia e consiste em experiências de laboratorio com cobaias humanas submetidas aos seus próprios medos. Em outras palavras, como todos nós temos um medo mais forte de alguma coisa em particular, as pessoas interessadas em participar revelaram sua fobia maior e explodiram em adrenalina ao se verem defrontados com elas.
Entretanto, para não fugirem na hora H e não se debaterem, podendo se machucar, todas foram bem amarradas. Assim, quando uma jovem com fobia de cobra, vê uma gibóia vindo em sua direçao, só resta para ela uma saída – gritar, o que faz desesperadamente. Imediatamente, seguram a cobra e a jovem cobaia sai com o coração batendo forte e feliz ou infeliz por ter afrontado seu próprio medo. Tudo bem, mas esse exercício perigoso com o medo pode lembrar outras coisas. Há, por exemplo, os trotes de calouros, as vezes excessivos, existem os happyslapping ou filmagens com celular de brigas ou de violências enviadas por sms, sem se falar em praticas proibidas de voyeurismo hard.
É possível que as pessoas que se defrontaram com a violência militar, tenham uma reaçao negativa diante do filme, mesmo se não se trata de violencia mas de uma imitaçao do sentimento de medo, uma espécie de exercício virtual dom a fobia. Koko Goifman e Jean-Claude Bernardet ouviram os receios possiveis diante de um filme que poderá provocar muitas controvérsias e mas se mostraram abertos, afirmando que todas as interpretações para o filme são válidas. Diante dessa prova de abertura, uma crítica que se pode fazer ao terminar o filme é a de se ter visto cenas comparáveis às registradas em Guantânamo ou torturas, mesmo se o medo provocado é voluntário, numa espécie de exercício sadomasoquista.
É claro que o medo faz parte também do espetaculo, como nos filmes de terror, ou quando grupo teatral catalão Fura des Baus entra com serras elétricas no meio do publico provocando pânico, mas o uso do medo, do terror, pode ter intrepretaçoes diversas e ser utilizado, como tem sido, por regimes ditatoriais. Enfim, fica esta observaçao para se juntar à controvérsia que, por certo, haverá na estréia, no Brasil, do filme de Kiko Goifman.


















