Usina fornecerá energia para o ecoturismo no Vale do Jordão

Um projeto de iniciativa Israelense-Jordaniana, encabeçado pelos Amigos da Terra - Oriente Médio (FoEME) planeja revitalizar o vale do Jordão e o complexo Rotenberg como um site de ecoturismo abrangendo ambos os lados da fronteira.

Sabe-se que a Cidade Branca de Tel-Aviv tem a maior concentração mundial de construções no estilo Bauhaus. Entretanto, há muitos projetos menos conhecidos construídos entre os anos 20 e 50 em Estilo Internacional. Um dos projetos mais ambiciosos foi a Usina Energética Rotenberg que de 1932 a 1948, quando foi destruída, forneceu energia elétrica a ambas as margens do vale do Rio Jordão. Em 1994 o Tratado de Paz entre Israel e Jordânia transformou a área em um cruzamento de fronteiras internacional. Agora, um ambicioso projeto de iniciativa Israelense-Jordaniana, encabeçado pelos Amigos da Terra - Oriente Médio (FoEME) planeja revitalizar o vale do Jordão e o complexo Rotenberg como um site de ecoturismo abrangente ambos os lados da fronteira. O Parque da Paz do Rio Jordão pretende combinar duas áreas adjacentes: Naharayim/Baqura, onde uma pequena ilha foi criada na junção dos Rios Jordão e Yarmouk e o local Jeser Al Majama/Gesher, conhecido como “Três Pontes”, um ponto histórico de cruzamento do vale do Rio Jordão.

Parceitos no projeto incluem a Municipalidade de Muaz Bin Jabal (Jordânia), Concelho Regional do Vale do Jordão (Israel) e o Conselho Regional do Vale de Beit She’an (Israel), juntamente com a FoEME. De acordo com Gidon Bromberg, fundador do FoEME e diretor da sucursal em Tel-Aviv, a iniciativa tem como intenção proporcionar novas oportunidades de meio de vida para os residentes do Vale do Jordão. “Há um enorme potencial”, ele afirma ao ISRAEL21c. “O desemprego no lado Jordaniano no momento está em 40%, a única fonte de empregos está na agricultura e isto paga muito pouco, cerca de JD 80-100 por mês, que é quase nada - portanto as oportunidades de subsistência que o Parque da Paz apresenta são enormes”. O projeto também busca revitalizar o baixo Rio Jordão ao irrigar os pantanais e re-equilibrar o ecossistema, uma questão primordial para o FoEME.

“Isto é a arqueologia industrial do Século XX”

Em Maio, um seminário de design (também conhecido como “charrette”) aconteceu com a participação do corpo docente e alunos da Yale University e a Academia de Artes Bezalel jutamente com arquitetos Joradnianos e Palestinos. FoEME apresentou os resultados da charrette na Jordânia e Jerusalém, juntamente com recomendações de estudos de exeqüibilidade e finanças.

O grupo recomendou a utilização da herança arquitetônica do local: Uma ponte de 2000 anos construída pelos Romanos para conectar as cidades de Beit Shean (hoje em Israel), Pella e Um Quais (atualmente na Jordânia; um khan (hospedagem) da Idade Média que serviu aos viajantes que viajavam de leste a oeste, uma ponte da era Otomana que conectava a estrada de ferro de Akko (Acre) a Damasco; uma agência de alfândega turca e uma delegacia de polícia; uma outra ponte adicional construída sob o Mandato Britânico e obviamente, a modernista Usina de Energia Rotenberg.

“A Usina compete com alguns dos locais industriais do EUA do mesmo período e na mesma escala, como um dos projetos da Autoridade do Vale do Tennessee (TVA)”, afirma o Professor Alan Plattas da Escola de Design da Yale University, em simpósio no Instituto Van Leer em Jerusalém. “Não vamos restaurar a usina. O que temos agora são as ruínas. Iremos converter as estruturas existentes, estabilizar as ruínas e reutilizar as outras estruturas. Esta é a arqueologia industrial do Século XX,” afirma Plattas, que também notou que o local da antiga estação de trem “é uma jóia da construção modernista Bauhaus.” O principal objetivo, afirma, será transformar toda a área em uma grande atração para o crescente campo do eco-turismo.

“O Turismo, com o passar do tempo, irá superar a agricultura como a base econômica na região, especialmente do lado da Jordânia. As habitações de ex-trabalhadores serão convertidas em hospedarias ecológicas, a estação de energia será reconstruída como um centro de visitantes e os aparatos de vigilância serão convertidos em abriso para ornitólogos,” afirma. A Ornitolologia representa um mercado-alvo para uma região que é uma das maiores rotas para pássaros migratórios do mundo e a re-irrigação do lago criaria um santuário para aves.

Baqura já faz parte do seleto grupo de habitats de múltiplos ecossistemas mais bem preservados na Jordânia e o FoEME estima que o lago atrairia mais de 500 milhões de aves migratórias que cruzam o Vale do Rio Jordão duas vezes ao ano, assim como o grande número de 60 milhões de ornitólogos de todo o mundo, além dos trilheiros, ciclistas e outros diversos amantes da natureza. “Os kibbutzim adjacentes já desenvolvem indústrias do turismo,” afirma Plattas, que visiona um comoplexo livre de veículos cercado de “estacionamentos onde as pessoas possam deixar seus carros para trás e utlizar os outros meios de transporte disponíveis no parque.”

Uma história interrompida

O parque será desenvolvido em estágios, com a Fase 1 do lado Jordaniano do que é na verdade uma fronteira única. Na Ilha da Paz a charrette testemunhou em primeira mão a entrada de Israelenses e Jordanianos no local, sem a necessidade de vistos ou passaportes conforme o tratado de 1994 que levou em consideração as circunstâncias especiais da área de Naharayim/Baqura que está sob controle Jordaniano, com direitos de propriedade privada Israelense.” Os proprietários neste caso incluem as concessionárias da Israel Electric Corporation (Agência Elétrica Israelense), ex-Agência Elétrica Palestina, cujo fundador visionário Pinchas Rotenberg foi concedido o uso dos Rios Jordão e Yarmouk para fornecer energia hidroelétrica para o território palestino, pelas autoridades Britânicas. Rotenberg negociou com sucesso junto ao Emir Abdallah da Jordânia o uso de 1.500 acres de terra sob controle transjordaniano. A estação operou de 1933 até sua destruição pela Legião Árabe em 1948 e se tornou parte do Reino Hashemita da Jordânia.

“A usina possui uma história de cooperação internacional que foi interrompida”, afirma Plattas. A viagem em si apresenta seu próprio ritmo e a tensão constante entre Israel e seus vizinhos dificulta o fluxo tradicional de tráfego, afirma o consultor ambiental Aviad Sar Shalom. “O turismo na área atualmente está concentrado principalmente no lado israelense de norte a sul. Este projeto irá restaurar a rota natural de turismo de lesta a oeste.” Dando continuidade aos projetos do passado, em 2007 o Fundo para o Desenvolvimento Rei Abdullah II endossou o Parque da Paz Rotenberg/Rei Abdullah. Neste mês, os resultados para o plano de viabilidade e charrette serão apresentados ao Primeiro Ministro Jordaniano que por sua vez os apresentará ao Rei. Do lado Israelense, o projeto recebeu sinal verde por parte do Ministro de Turismo e Autoridade de Águas e será apresentado pelos prefeitos Israelenses ao Presidente Shimon Peres.

Potencial Motivado pela Paz

Bromberg afirma que o próximo passo será a declaração de um parque nacional pelo lado Jordaniano e a conexão para os locais israelenses de Naharayim e Gesher, “e então daremos continuidade a investimentos concretos de infra-estrutura, preparando a conexão das fronteiras pelo Parque da Paz. Se tudo correr bem, teremos o suficiente para a inauguração em dois anos e meio.” Os estudos de viabilidade por parte do FoEME, afirma Bromberg, “prevêem que dentro de cinco anos após a inauguração poderemos contar com 250.000 visitantes locais (de Israel e da Jordânia) e 200.000 visitantes estrangeiros dentro de 10 anos. Isto significa a crianção de muitos postos de emprego como guias, gerentes, servidores e oportunidades de pequenos negócios como barraquinhas para aluguel de bicicletas e carrinhos elétricos, presentes, alimentos, passeios, etc.” Como a observação de aves ocorre cedo de manhã ou no entardecer, o projeto prevêe uma expansão de hospedagem e transportes em ambos os lados.

“Do lado israelense já temos diversos estabelecimentos que serão diretamente beneficiados como hospedarias e hospedagens domésticas nos kibbutz mas prevemos que esta demanda irá aumentar e as instalações serão aumentadas. Atualmente, no lado da Jordânia, existem instalações limitadas - a casa de hospedagens Pella tem apenas 10 quartos - portanto temos que trabalhar juntamente com agências de apoio para desenvolvimento de um programa de treinamento que poderá ajudar as comunidades ruraus a criar uma infra-estrutura de hospedagem na cidade de Shuna do Norte e na vila de Baqura.” Isso não é uma promessa, afirma Bromberg. “Certos aspectos do projeto já existem. O lado israelense [Gesher/Naharayim] já está funcionando. E os jordanianos já começaram a trazer grupos para o local; estudantes locais e professores, empreendedores e investidores em potencial. O norte da Jordânia é uma área que é pouco visitada no momento e com elevada taxa de desemprego. Por isso as autoridades demonstram tanto interesse.”

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Fonte: Israel 21c e Embaixada de Israel

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