Parashá da Semana

Cultura Judaica News
Ano X – Nº 407 – 21 de junho de 2008 – 18 de Sivan de 5768
Shabat Schelach Lechá
Início do Shabat em São Paulo: 17h08– Término 18h05

Conteúdo da Parashá Schelach Lechá (Envie para ti)
Bamidbar 13:1 a 15:41

· Moisés envia doze observadores à Terra de Israel para um melhor conhecimento do país e de seus habitantes. Apesar do relato positivo de Josué e Caleb, o depoimento negativo dos dez outros leva o povo à descrença quanto a possibilidade de conquista da terra. (13:1– 14:10)

· Deus pensa em destruir todo o povo de Israel, mas desiste após Moisés interceder, evitando o extermínio. Deus anuncia que todos aqueles com mais de 20 anos não entrariam na Terra de Israel, com exceção de Caleb e Josué. (14:11–45)

· Moisés instrui os israelitas sobre a separação da chalá, a observância do Shabat e as leis do tzitzit. (15:1–41)

Dois versículos especiais (Bamidbar 15:39-40)

“Estas serão suas franjas (tzitzit) e, quando vocês as virem, lembrarão todos os mandamentos de Deus para que os cumpram. Vocês não se perderão por seus olhos e pelo seu coração que no passado conduziram à imoralidade. Vocês, assim, lembrarão e cumprirão todos os Meus mandamentos e serão santos para o Deus de vocês.”

Esse dois versículos contêm um trecho do terceiro parágrafo do Shemá Israel. A verdadeira intenção do texto é de lembrar aos homens sua pertença a uma comunidade sagrada e seus deveres com Deus. Os rabinos formularam essa idéia em imagens: “O azul das franjas lembra o mar, de ode ele é tirado. O mar reflete o céu e o céu é a sede do poder divino.”

A Haftará e a Parashá

É do segundo capítulo do livro de Josué o trecho da Haftará lido esta semana, que mostra um tremendo contraste com a Parashá. Apesar de ambas tratarem de temas semelhantes, os resultados foram opostos. Enquanto a dos doze observadores foi um enorme fiasco, a da Haftará atingiu os resultados esperados. Josué enviou dois cidadãos de sua extrema confiança para preparar a invasão de Jericó. Eles chegaram à casa de Rachav, uma prostituta que morava num prostíbulo freqüentado por importantes lideranças, uma fonte certa de informações. Pouco depois da chegada, eles foram descobertos e o rei de Jericó mandou guardas para prendê-los. Rachav escondeu-os no telhado e disse aos guardas que já haviam saído. Em troca desse ato, Rachav, conhecedora da força de Deus, exigiu que, quando os judeus invadissem e conquistassem Jericó, ela e sua família fossem poupadas. Os dois voltaram sãos e salvos, cheios de informações valiosas, que permitiram mais tarde a conquista de Jericó.

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A entrevista da semana

Esta semana o CJNEWS aprofunda-se na mal sucedida viagem de observação a Canaã, que acabou condenando o povo a caminhar pelo deserto durante quarenta anos. Ouvimos dois dos doze líderes que foram designados para essa missão de observação. De um lado, Caleb ben Iefuné, que, junto a Josué, fez um relato positivo e, de outro, Setur ben Michael, que, junto com outros nove príncipes, fez um relato negativo, levando o povo ao desespero e a todas as suas graves conseqüências.

CJNEWS – Senhores. Vocês participaram da histórica viagem de observação a Canaã. Digam-nos, como foi decidida essa viagem?

SETUR – O nível de reclamações no acampamento estava insuportável. Moisés já chegara quase ao seu limite. O povo queria saber mais dessa terra de Canaã. Então, Moisés negociou com Deus a ida de nossa comitiva, constituída pelos doze príncipes mais preparados de cada tribo. Moisés esperava que, com as notícias da Terra Santa, o povo começasse a pensar no futuro e com isso parasse de reclamar tanto.

CALEB - Foi isso mesmo.

CJNEWS – Mas contem-nos o que vocês viram por lá? E as frutas, eram grandes mesmo, como todo mundo fala?

SETUR – A terra é maravilhosa, é mesmo a terra do leite e do mel. Figos, romãs enormes. Palti ben Rafu e eu tivemos que carregar juntos um cacho de uvas. Outros carregaram romãs e figos e quase arrebentaram a coluna. Melancia nem com os doze tentando, não conseguimos levantar. Vimos também cidade super fortificadas, gigantes em vários locais. Os povos que lá viviam eram nossos inimigos. Os hititas, os emoritas e os amalequitas que moravam no Negev.

CALEB - Foi isso mesmo que vimos.

CJNEWS – Que estranho. Vocês viram a mesma coisa, mas o relato de vocês foi tão diferente. Como pode ser isso?

SETUR – Como íamos conseguir atravessar aquelas portas fortificadas das cidades? A pontinha do dedo daqueles gigantes seria capaz de acabar conosco. Os amalequitas, que quase acabaram conosco quando saímos do Egito, nos arrasariam se os combatêssemos na terra deles.

CALEB – Eles eram grandes, mas nós também éramos fortes e numerosos. Havíamos terminado de fazer o censo. Só entre homens de 20 a 50 anos, éramos mais de 600.000 aptos a servir o exército, prontos para pegar em armas e conquistar a terra que Deus prometeu a nosso patriarca Abraão. Mas não estava nem na nossa força, nem no número de nosso exército, a certeza que eu e Josué e tínhamos das nossas possibilidades de conquista da Terra Santa. Quem viu as pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho, a gente passando pelo leito do rio seco e, em seguida, todo aquele exército do Faraó se afogando… Se Deus, que fez todos esses milagres, estava nos garantindo a conquista da Terra, do que íamos duvidar?

CJNEWS – Porém, com tudo isso, você, Caleb e o Josué não conseguiram convencer ninguém. Mesmo com o discurso corajoso que fizeram, o povo entrou em pânico, mesmo vocês argumentando e garantindo que Deus estaria junto as coisas ficaram piores ainda e vocês quase morreram apedrejados.

CALEB – Acho que o discurso dos dez era exatamente o que aquele povo queria ouvir. Mesmo com todos aqueles milagres, eles não conseguiram entender nada. Até cheguei a achar que tudo o que aconteceu se apagou da memória deles. Mas, eu, Josué, Moisés e Deus entendemos o problema quando um dos dez disse que “nós éramos gafanhotos e que era assim que eles nos viam.”

SETUR – E éramos mesmo.

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Texto: Mauricio Mindrisz - Revisão: Tania Tarandach
Cultura Judaica News é responsabilidade do Departamento de Cultura de A Hebraica

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