Parashá Behaalotechá

Cultura Judaica News
Ano X – Nº 406 – 14 de junho de 2008 – 11 de Sivan de 5768
Shabat Behaalotechá
Início do Shabat em São Paulo: 17h07– Término 18h04
Conteúdo da Parashá Behaalotechá (Quando acendere)
Bamidbar 8:1 a 12:16

· Deus descreve a Moisés as características da menorá a ser colocada no tabernáculo. Os levitas são designados a trabalhar como assistentes dos sacerdotes sob a chefia de Arão e seus filhos. (8:1-26)
· É dada uma segunda oportunidade para aqueles que não puderam celebrar Pessach durante o mês de Nissan. Deus cria o segundo Pessach a ser comemorado um mês depois da data normal. ( 9:1-14)
· Uma nuvem durante o dia e o fogo a noite demonstravam a presença divina acima do tabernáculo. Quando a nuvem se movimentava, o povo caminhava pelo Sinai, continuando sua jornada. ( 9:15-10:36)
· O povo reclama da falta de carne, deixando Moisés frustrado. Deus fala a Moisés para que ele criasse um conselho de anciãos. Em resposta à falta de carne, Deus lança uma grande quantidade de codornizes. O povo pôs-se a comê-las vorazmente e muitos acabaram morrendo de tanto comer. (11:1-34)
· Miriam e Arão criticam Moises por este ter se unido a uma mulher cushita. Além disso, eles reclamam de Moisés, dizendo que Deus também falava através deles. Miriam é acometida de lepra. Moisés pede a Deus que ela seja curada. Depois de sua recuperação, o povo retoma sua caminhada em direção a Terra Prometida. ( 12:1-16)

Dois versículos especiais (Bamidbar 10:35-36)

“Quando a Arca partia, Moisés dizia: “Surge, ó Deus e espalha teus inimigos! Que aqueles que te odeiam fujam diante de Ti!”
Quando ela descansava, ele dizia: “Retorna, ó Deus, para as miríades dos milhares de Israel.”

Esses versículos são cantados na sinagoga antes do rolo da Torá ser retirado do seu armário. (Vaiehi binsoa…) O texto é seguido e precedido pelas letras invertidas nun (?), mostrando que algo importante esta sendo comunicado.

A Haftará e a Parashá

Num contraste com a parashá da semana, que mostra o povo se distanciando de Deus, a haftará nos oferece uma profecia otimista dos tempos messiânicos, quando Deus novamente viverá no meio do povo. A haftará contém a visão do profeta Zacarias sobre a menorá dourada, motivo pela qual esse trecho também é lido em Chanucá, assim como a parashá fala do acendimento da Menorá do mishkan.

A entrevista da semana

CJNEWS – Miriam, você começa sua história com uma presença muito forte na vida de Moisés. Depois que sua mãe Iocheved colocou-o no cestinho que desceu o Rio Nilo, foi você quem ficou observando até onde ele ia. Você arriscou sua vida ao ir falar diretamente com a filha do Faraó e sugerir que uma ama de leite hebréia, não por coincidência, a sua própria mãe, amamentasse o garoto. Dizem ainda mais que mesmo muito novinha você arriscava sua vida, junto com sua mãe ao não cumprir a lei do Faraó que obrigava a morte dos meninos judeus. Você chega até a ser indicada como profetisa, mas depois o relato bíblico lhe dá um papel muito secundário em relação a seus irmãos. Será que isso aconteceu só porque você é mulher?

MIRIAM - Nunca pensei muito nisso. Durante a minha vida toda, a pedido de minha mãe busquei ajudar o Moisés. Depois que ele foi para o palácio do Faraó, eu ficava de longe, acompanhando a vida dele e contando para minha mãe como ele estava. Isso a deixava mais tranqüila. Até que ele teve que fugir do palácio por causa daquela briga com o capataz. Justamente naquela hora eu não estava por perto e acabamos ficando um tempão sem noticias dele. Meus pais chegaram a pensar que ele tinha morrido. Eu sempre tive fé de que ele voltaria, e que ele seria o libertador de nosso povo. Mas aí na volta ele acabou se aproximando mais do Arão. Ele sempre foi muito mais hábil que eu, mesmo se metendo em trapalhadas como aquela do bezerro de ouro, ele conseguia sair por cima. Eu fiquei basicamente tentando convencer aquela mulherada toda que a caminhada pelo deserto ia nos levar a um lugar melhor.

CJNEWS – Foi por causa disso, que você acabou sendo indicada como profetisa? Mas seja sincera, será que isso aconteceu por causa do poder de seu irmão, Moisés, pois afinal de contas não se vê nenhuma profecia sua.

MIRIAM – Da mesma maneira que fiz com a irmã do Faraó, eu vi que era importante para todos e todas, que as mulheres tinham que participar do agradecimento a Deus depois que atravessamos o Mar Vermelho e vimos todo o exército do Faraó se afogando. Por isso, combinei com as mulheres que tínhamos que cantar e dançar para comemorar aquele momento importante. A partir daí comecei a exercer uma espécie de comando sobre elas. Acho que foi por isso que acabei virando profetisa. Mas acho que teve gente que não gostou muito disso.

CJNEWS – Sei que você não vai querer falar, mas acho que você está se referindo ao seu irmão Arão. A gente nota que tanto Moisés como Deus perdoam essas pisadas de bola do Arão. E teve aquele episódio em que vocês dois se juntam ao povo e reclamam do Moisés e ainda o criticam quando ele se junta àquela mulher cushita. Por causa disso, você fica com lepra durante uma semana e só é curada a pedido do Moisés. E mais uma vez, nada acontece com o Arão.

MIRIAM – Pois é. Foi o Arão que veio falar comigo disso. Ele encheu minha cabeça, falou que Deus também falava conosco e que aquela história daquela mulher cushita era um indecência, que ficava mal para ele andar com aquela mulher, deixando a Tsipora, a titular, de lado. Entrei na do Arão, juntei a mulherada e fomos reclamar do Moisés. Ele como sempre ficou bravo com o povo, mas depois perdoou todo mundo. Comigo não foi diferente, logo que ele me viu daquele jeito, coberta por aquelas manchas brancas, ele pediu a minha cura para Deus. Eu não precisei fazer nada, nem pedir desculpas pela minha maledicência. É verdade que nada aconteceu com o Arão, mas como você falou, ele sabe se relacionar com o poder e com o povo.

Texto: Mauricio Mindrisz
Cultura Judaica News é responsabilidade do Departamento de Cultura de A Hebraica

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