Os espiões de Hitler no Brasil
O jornal O Globo deste sábado (31/maio) publicou uma matéria de página inteira com texto de Leonardo Valente sobre os espiões de Hitler que agiam no Brasil, no período da Segunda Guerra Mundial. Veja a seguir a transcrição da abertura.
Quinze de março de 1942. Um grupo de policiais paulistas, numa missão altamente sigilosa, chega ao Rio de Janeiro e segue direto para uma casa no Leblon, na Rua Campos de Carvalho (atual General San Martin). Lá, após meses de investigação, descobriu-se que funcionava uma das mais importantes células de espionagem nazista no Brasil e que, por meio de rádios transmissores, eram enviadas informações periódicas para Berlim. Os policiais rapidamente invadiram o lugar e renderam todos, entre eles o engenheiro alemão Niels Christensen, espião experiente e líder do grupo. Mas, ao examinarem os papéis que encontraram no local, as autoridades entraram em pânico: coordenadas de viagem do navio Queen Mary, orgulho da frota britânica que deixara o porto do Rio, tinham acabado de ser transmitidas para o Reich. O navio, que tinha oito mil soldados canadenses a bordo, seria alvejado em breve por submarinos alemães. A história, digna de um roteiro de filme de espionagem, é apenas uma das muitas e pouco conhecidas passagens dos nazistas pelo Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial.
Boa parte delas está contada no livro “Crônica de uma guerra secreta”, de Sergio Corrêa da Costa (Ed. Record), mas outras obras que acabam de ser lançadas também dão informações sobre as atividades alemãs no Brasil do Estado Novo. Então capital do país, o Rio atraiu a atenção da Alemanha de Adolf Hitler, especialmente depois de janeiro de 1942, quando o então presidente Getúlio Vargas rompeu relações diplomáticas com as potências do Eixo. Sabemos que a atividade de espionagem alemã no Brasil era grande. É fato que algumas representações oficiais do Reich no Rio, por exemplo, enviavam mensagens criptografadas para Berlim, e muitas delas jamais foram decifradas, afirma a pesquisadora Ana Maria Dietrich, doutora em História pela Universidade de São Paulo, professora da Universidade Federal de Viçosa e autora do livro “Caça às suásticas, O partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política”, que acaba de ser lançado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

























