Projeto cultural sobre imigração judaica do leste europeu ao Brasil ganha livro, filme e exposição.
O Rabino Y. David Weitman e o escritor Marcio Pitliuk lançam projeto no próximo dia 3 de maio, na primeira sinagoga askenazy de São Paulo. Livro e filme trazem depoimento exclusivo de Samuel Klein que conta como sobreviveu aos campos de Budzin e Maidanek e como fez fortuna no Brasil, terra que acolheu de braços abertos os imigrantes judeus.
Os judeus que fugiram do nazismo; os sobreviventes do Holocausto — que escaparam da Hungria durante a tentativa de golpe de 1956, e a JCA – Jewish Colonization Association – financiada pelo Barão Maurice de Hirsh são o tema da exposição “100 anos da Imigração Judaica do Leste Europeu ao Brasil”, que será inaugurada ao público no dia 3 de maio, na primeira sinagoga askenazi (“de judeus migratórios do leste europeu”) de S. Paulo, na Rua da Graça, com entrada livre. A exposição contará de maneira ilustrada e interativa os fluxos migratórios de judeus que aqui chegaram. Também serão lançados, em noite de autógrafos, o livro “100 anos de Imigração Judaica do Leste Europeu”, escrito por Marcio Pitliuk, com fotografias de Ilan Ejzykowicz, e avant première do filme homônimo com direção de Marcio Pitliuk.
O livro e o filme trazem depoimentos inéditos de imigrantes. Entre outros:
· Clara Kier recorda em detalhes como chegaram ao Brasil há quase 90 anos estabelecendo-se inicialmente no Rio Grande do Sul, nas chamadas “colônias do Barão Hirsch”.
· Moisés Jakobson, sobrevivente da Shoah, no seu depoimento diz que entrou como clandestino para escapar da proibição das “circulares secretas do Governo Vargas” que não permitiam a entrada de judeus no Brasil.
· Geraldo Lewinski descreve em detalhes como viu da janela do seu apartamento em Berlim a “Noite dos Cristais”.
· Julio Gartner esteve lado a lado com o comandante Amon Goeth, o mesmo que fazia negócios com Oscar Schindler, no campo de concentração de Plasow.
· Iona G. Davidson conta como seu pai escapou dos Grupos de Extermínio Nazista se jogando na cova segundos antes dos alemães dispararem os tiros de metralhadora e passando por morto.
· Barbu Hoffmann lembra como era a vida dos judeus na Romênia durante o comunismo e a alegria de chegar ao Brasil.
· Sandor Szana fala com bom humor como fugiu durante a revolução húngara de 56 cruzando a nada um rio gelado para chegar à Áustria.
Muitos aqui chegaram sem conhecer ninguém, sem falar a língua e sem um centavo no bolso e foram bem recebidos pelos “patrícios” e pelos brasileiros e refizeram suas vidas. Livro e filme trazem um depoimento exclusivo de Samuel Klein que conta como sobreviveu aos campos de Budzin e Maidanek e como fez fortuna no Brasil, terra que acolheu de braços abertos os imigrantes judeus. A entrevista do professor e historiador Nachman Falbel no filme é uma aula para todos conhecerem melhor essa imigração. Com destaque no livro, no filme e na exposição, é documentada a viagem do Projeto Alicerces que 100 jovens de vários estados do Brasil, descendentes de imigrantes do leste europeu, fizeram recentemente para conhecer as origens e raízes do judaísmo na Alemanha, Polônia, Hungria, Republica Tcheca, Ucrânia e Rússia. Essa viagem foi organizada pelo Rabino Y. David Weitman, com o apoio das organizações Chabab em todos esses países.
Os jovens do Projeto Alicerces além de aprender sobre a história de seus antepassados constataram com alegria o renascimento da cultura e religião judaicas nessa região que sofreu com o Holocausto e depois com 50 anos de repressão durante o regime comunista. O livro é ilustrado com fotos de Ilan Ejzykowicz verdadeiras obras de arte feitas em diversos países. Tem 144 páginas, capa dura, mais de 100 fotografias de locais históricos, imigrantes e documentos. O filme de 50 minutos tem direção e roteiro de Marcio Pitliuk, edição de Melina Mester, trilha sonora de Daniel Tauszig e finalização de Caio Cobra. O projeto levou mais de um ano para ser realizado entre viagens, pesquisas e entrevistas. O Arquivo Histórico Judaico Brasileiro colaborou de maneira fundamental para a realização das obras. Contou com o apoio do Ministério da Cultura.

Judeus brasileiros filhos de imigrantes voltam a dançar na praça do mercado em Varsóvia 70 anos depois do Holocausto.

Cemitério judeu de Varsóvia. Com 200 mil túmulos, entre eles Ludwick Zamenhof, criador do Esperanto, e dezenas de escritores e artistas judeus. De Varsóvia saíram dezenas de milhares de emigrantes judeus para o Brasil fugindo do Holocausto.


























