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Permanece, no dia a dia do noticiário, a soberania de Israel no território da chamada Margem Ocidental, também dita Cisjordânia. De onde se tiram esses nomes?

Com a Declaração Balfour, aprovada também na Conferência de Versalhes, de 1919, que pôs fim à Primeira Guerra, e definida na Conferência de San Remo, de abril de 1920, o Lar Nacional Judaico ficaria no que era então a chamada Palestina, compreendendo uma área situada de ambos os lados do famoso Rio Jordão. Todo o lado ocidental, do rio até o Mar Mediterrâneo, ficou sendo chamado de Cisjordânia.

O lado oriental, ficou sendo Transjordânia. E, tendo sido conferido um Mandato para os Britânicos implementarem o tal Lar Nacional Judaico em San Remo, depois, no ano de 1922, Winston Churchill resolveu separar, por interesses da Inglaterra, todo o território da Transjordânia, compreendendo 75% de todo o território do Mandato. Assim, em 1923, Churchill criou o Emirado da Transjordânia, dado ao filho, Abdullah, do Xerife de Meca, Hussein.

Quando do restabelecimento do Estado Judeu, em 1948, como Estado de Israel, em terras da Cisjordânia, 7 países vizinhos, invadiram o novo Estado recriado, e assim, a então Transjordânia, tomou uma parte da Cisjordânia, incluindo Jerusalém velha. Essa parte tomada na guerra que foi desfechada pelos vizinhos, (e esta parte histórica ninguém contesta), determinou chamar a área conquistada de Margem Ocidental do Reino Hachemita da Transjordânia.

Em virtude deste fato, passou a se chamar somente Jordânia, em 1950, pois não se situava mais apenas do lado oriental do Jordão. Passou sendo chamada apenas Margem Ocidental ou Cisjordânia. Chamamos a atenção para a linguagem distorcida: ao se falar em Cisjordânia, ficaria compreendido todo Estado de Israel, e chamar o local de Cisjordânia ocupada, seria eliminar Israel. Não havia povo palestino. Portanto, essa Margem Ocidental foi conquistada em guerra.

Em 1967, em nova guerra desfechada pelos vizinhos, Israel reconquistou toda a Margem Ocidental. Em 1920, havia na Cisjordânia uma população árabe, que seria sempre respeitada segundo a Declaração Balfour, os palestinos eram os judeus sionisstas, mas os britânicos tudo fizeram para impedir afluxo de judeus, mas permitindo o livre acesso de árabes e não árabes, vindos dos países vizinhos.

No ano 2000, quando o então Primeiro-Ministro de Israel, Ehud Barak, foi a Damasco, encontrar com o então presidente sírio, Hafez Assad, que se achava doente, e não o recebeu, o escritor israelense Amos Oz, já falecido, em entrevista no jornal Haaretz, (17/03/2000) considerava que era um grande absurdo que a Lei Internacional fosse empregada contra Israel e não contra a Síria. Dizia Amos Oz, (um dos fundadores e membro do Paz Agora): a Síria tomou o Golã na Guerra que fez, em 1948, e vale. Israel tomou o Golã na Guerra dos Seis Dias, e não vale? Disse ser contra a entrega de território de Israel, que se retorne às fronteiras de 1923.

O mesmo se dá agora: a Margem Ocidental foi conquistada pela Jordânia, e vale? Israel reconquistou, e não vale? Não pode Israel ter soberania sobre o lugar? Descartar-se da área é problema político a decidir entre as partes e posição de Israel. Até 1967 a OLP só queria eliminar Israel que ficava fora da Margem Ocidental

A OLP, Organização para a Libertação da Palestina foi criada em 1964, por inspiração de Brejnev e Gamal Abdel Nasser. O seu primeiro Estatuto, ou Pacto, como chamam, de 1964, no artigo 24, dizia não ter qualquer reinvindicação sobre a Margem Ocidental do Reino Hachemita da Jordânia e sobre o Monte do Templo. Depois de 1967, mudou-se o texto. Portanto, interpretar a Lei Internacional contra Israel é uma forma absurda, que seria dita segundo Amos Oz.

Interpretar contra Israel é fácil e é o império ideológico antissemita e de ódio. Conhecemos bem as interpretações jurídicas sob o manto político e de ódio. Israel também tem direitos.

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